Boxe
 

          Luta entre Eder Jofre e Sadao Yaoita. Eder venceu no 10ºassalto.
A antropologia admite que os punhos cerrados tenham constituído uma das primeiras, se não a primeira arma de defesa do homem primitivo. Sem dúvida, constituiu o meio mais natural de ataque e de defesa, pois, ao contrário dos demais animais pré-históricos, o homem não possui e jamais possuiu garras, presas, cauda longa e forte para dar rabanadas. Dentre os recursos que sua própria estrutura física poderia lhe dar, o de maior precisão e fácil utilização, foram os punhos cerrados, que até hoje sobrevivem como meio de defesa, em que pese todos os equipamentos inventados e criados para o mesmo fim, alguns bastantes sofisticados.
A história nos dá conta de inúmeros tipos de competição, pela troca de golpes com os punhos cerrados, desde uma espécie de esgrima com punhos até formas mais apuradas de pugilato. A civilização grega nos dá conta de variados tipos de luta como meio de competição esportiva e até nos tempos pré-helênicos, antes da Guerra de Tróia, já se conhecia o pugilato. Homero, na Ilíada e na Odisséia, narra cenas de lutas em comemoração a eventos importantes. Também Virgilio, na Emeide, refere-se a tal atividade físico-esportiva. Pausânias já nos trouxe informações mais concretas, ao narrar a inclusão, na vigésima Quinta Olimpíada, de combate com os punhos descobertos e posteriormente protegidos com correias trançadas e guarnecidas de botões de ferro e arame denominado “Cestus”, além de outros equipamentos, chamados “Hymas”, e uma máscara tipo calota, de proteção às têmporas, chamada “Amphotls”.
O pugilato foi aperfeiçoado pelos gregos ao nível de uma verdadeira arte, com regulamentação minuciosa, o que não impedia, entretanto, a ocorrência de inúmeros acidentes fatais nas lutas. Tal era a violência que o pugilato perdeu importância na Grécia clássica e um novo tipo de luta surgiu – o Pancrácio, na época da trigésima terceira Olimpíada, ainda marcado pela violência e bastante parecido com o pugilato, pois nele se batia com os punhos cerrados, embora não mais se utilizasse os “cestus”.
Em 146 A. C. a Grécia é subjugada pelo Império Romano e este leva para todo seu território o pugilato que, entretanto, deixa de ser uma competição esportiva, passando a compor os sangrentos espetáculos dos “Circus”. Teodósio, ao tornar-se cristão, proíbe as lutas de gladiadores e entre elas o pugilato. A Inglaterra fez ressurgir os combates de punhos nus, por volta do século XV, mas somente no século XVIII é que o boxe se transformou, realmente, num desporto regulamentado, tendo sido James Figg, cognominado como “Iom”, o primeiro campeão oficial da modalidade. Ainda era lutas bastantes violentas, de punhos nus, pois as luvas, mesmo as mais rudimentares, somente apareceram em 1750, numa contribuição do então campeão Jack Broughton, que também muito influenciou na evolução técnica do box, introduzindo a plena movimentação, em lugar do estático que então predominava.
Em que pese toda a revolução imposta de Jack Broughton, somente a partir de 1880, com a codificação do marquês de Queensbury, o uso das luvas se generalizou e, consequentemente, desapareceu a violência dos punhos nus, registrando a história, ainda em 1889, a ultima luta sem luvas nos Estados Unidos, na qual se sagrou vencedor o campeão famoso e saudoso, John L. Sullivan, que derrotou Jack Kilrain, numa luta de 76 rounds, com a duração de duas horas, dezesseis minutos e vinte e três segundos. Sullivan foi o último campeão dos punhos nus e o primeiro campeão com luvas. Antes deste episódio, na terceira Olimpíada da época moderna, disputada em Saint Louis, nos Estados Unidos, no ano de 1904, o box foi admitido como desporto olímpico e incluído na programação dos jogos.
Os americanos desde de 1889 já detinham a hegemonia do box. O box, sem dúvida, é um desporto que, ao lado de pontos positivos, apresenta características perigosas e negativas, que podem, aos desavisados, causar até a morte ou a invalidez. Entretanto, alguns aspectos educativos devem ser evidenciados, pois, na forma violenta que pode apresentar, multiplica, por outro lado, em elevado nível, as qualidades físicas e morais do praticante. Desenvolve a rapidez, a resistência aos traumatismos e a dor, a flexibilidade, a destreza, a combatividade e a resistência, aperfeiçoando ainda sob o ponto de vista anatômico, toda a musculatura, tornando-a elástica e resistente.

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