Os incríveis fatos de 1942

O nosso futebol enfrentou muitas crises através dos tempos. Crises, que muitas vezes, eram sanadas por meio de um remédio, administrado por alguns dirigentes, chamado abnegação. Apesar do interesse de muitos diretores, o futebol enfrentou tempestades violentas que balançaram o nosso esporte.

Uma dessas tempestades aconteceu em 1942. O campeonato, ganhou pelo Centro Sportivo Alagoano, foi disputado em três turnos com apenas quatro clubes:  CSA, CRB, Santa Cruz e Barroso. Este último, não disputou o terceiro turno. Um campeonato cheio de problemas que afastavam os torcedores dos jogos. Com o esvaziamento dos estádios para as partidas da primeira divisão, a imprensa passou a acompanhar os jogos da Liga Suburbana que eram disputados no campo localizado no Vergel do Lago. O entusiasmo era muito  grande e o campo estava sempre lotado. O Brasil foi o campeão e o Oceano o vice campeão. A “Gazeta de Alagoas” promoveu um concurso para saber qual o melhor jogador da Liga Suburbana. O vencedor foi Gonzaguinha do Oceano com 1.245 votos. Em segundo lugar ficou Joãozinho do Andarai com 723 votos.

Enciumada, a Federação Alagoana de Desportos, procurou criar caso com os clubes suburbanos. Baixou um decreto que somente poderia entrar e permanecer no recinto da entidade, as pessoas decentemente vestidas, inclusive, com gravata. A secretaria da FAD passou a ser um ambiente de luxo. Como não poderia deixar de ser, os clubes suburbanos, dirigidos por desportistas humildes e pobres, protestaram com a antipática atitude. O protesto contou com o apoio da imprensa, e a diretoria da entidade foi obrigada a voltar atrás.

Um amistoso entre clubes da Liga Suburbana, serviu para beneficiar a campanha pró-sede própria do Centro Sportivo Alagoano. No Mutange, debaixo de forte chuva, Andarai e Brasil empataram em 6x6. O jogo não terminou por falta de visibilidade. A renda somou cerca de trezentos mil reis. Em 1940, havia sido lançada a pedra fundamental da sede própria do clube azulino que deveria ser construída na rua do Macena. Naquele oportunidade, falou o Dr. Rubem Loureiro, presidente da comissão pró-sede. Aliás, várias outras pedras também foram lançadas e, nunca saiu disso. O CSA continuou sendo um clube rico de tradições, mas pobre em patrimônio.