Primeiro Departamento de Ábitros

Os árbitros sempre foram um dos principais problemas para o futebol alagoano. Durante muitos anos, os juizes eram escolhidos entre dirigentes e atletas. Não havia livros com regras de futebol disponíveis e o jeito era indicar os desportistas que mereciam o respeito de todos. Mesmo assim, nem sempre agradava, e os problemas se acumulavam a cada jogo, a cada campeonato. Ao longo de quatorze anos, alguns desportistas se destacaram como bons árbitros. O goleiro

  Osvaldo Coutinho, o China do CRB, o versátil Antônio Bráulio do CSA, Tininho e Doca Loureiro também do CSA, foram atletas que eram bons juizes de futebol. Entre os dirigentes, o de maior destaque foi Waldomiro Breda. Tudo isso era pouco. Havia necessidade de uma melhor organização no setor de arbitragens. Um departamento que pudesse ter seus próprios juizes.

No início dos anos quarenta já começava a se cogitar da formação de um departamento de árbitros. Os dirigentes do nosso futebol não se entendiam ou faziam questão de não se entenderem. Em 1941, foi eleita a nova diretoria da FAD com Cyro Coelho presidente e Henard Travasssos secretario. Logo depois, eles renunciaram. Motivo; não concordaram com os nomes indicados na Assembléia Geral para formarem o primeiro departamento de árbitro da Federação Alagoana de Desportos. Os dois foram substituídos interinamente pelos desportistas Hugo Cravo e Alvaro Victor.

Finalmente foi formado o departamento especializado que tinha em Waldomiro Breda o seu diretor. Os árbitros eram os seguintes: Oscar de Souza, Doca Loureiro, Eraldo Gomes de Barros, Waldemar Buarque, Antônio Bráulio, além do seu diretor. Na suplencia tinha Zequito Porto. Durante o campeonato os juizes que mais apitaram foram Doca Loureiro e Zequito Porto. O nível de arbitragens melhorou muito nesta temporada.

A bola continua correndo pela grama dos maiores estádios ou sobre a terra batida dos campos de várzea. Atrás dela, vão vinte e dois sujeitos de calção e chuteira, de camisa de todas as cores, de escudos gloriosos ou velhas iniciais esfarrapadas. Para o árbitro nada mudou. Continua sendo um incompreendido, intolerado, culpado e, para cada um dia de aplausos, terá inúmeros outros de aborrecimentos.