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A rivalidade do clássico Alagoano
Durante muitos anos, o futebol passou a ser disputado por inúmeros
clubes, fundados e criados nas mais diversas camadas sociais.
Travaram-se diversas partidas amistosas, intermunicipais e até mesmo,
interestaduais, já que a evolução do futebol ganhava novas
fronteiras. O torcedor cada vez mais se apaixonava pelo esporte. O
Clube de Regatas Brasil foi fundado em 1912, e no ano seguinte, surgiu
o Centro Sportivo Alagoano. Outras agremiações que apareceram na
mesma época, foram ficando pelo caminho. Crises internas e problemas
financeiros, eram os principais motivos pelos quais esses clubes
fechavam as portas do seu departamento de futebol. CSA e CRB seguiram
em frente, cada vez mais forte, dividindo a simpatia dos alagoanos e
eternizando uma rivalidade que continua até hoje. Os torcedores vivem e revivem, há mais de meio século, a paixão deste
clássico. Uma bonita ilusão que cria um mundo de cores para os
alagoanos da geral, das arquibancadas e das cadeiras. Ontem, os
modestos estádios da Pajuçara ou do Mutange, estavam sempre lotados
com um público alegre e entusiasmado. Hoje, no confortável Trapichão,
o torcedor não chega a lotar o estádio, mas o entusiasmo continua o
mesmo. Centro Sportivo Alagoano e Clube de Regatas Brasil farão
sempre um clássico imprevisível. Um jogo onde não há favoritos,
uma partida onde nem sempre ganha o melhor. Vencerá
aquele que tiver mais sorte e aproveitar melhor as
oportunidades. Através dos tempos, o prestigio, a fama e a tradição dos dois clubes,
transformaram seus jogos nos clássicos mais esperados do campeonato.
Ontem, uma rivalidade mais
acesa, onde jogadores de um clube não se transferiam para o
outro. Odulfo, o conhecido Polichinelo, jogador do CSA que marcou o
primeiro gol no estádio do mutange em 1922, pode ser um exemplo da
rivalidade da época. Certa vez, Odulfo ficou doente e foi afastado do
time azulino. Apesar do seu amor pelo clube, os dirigentes o
abandonaram. Diretores do CRB fizeram uma proposta ao artilheiro do
Mutange. Eles pagariam todas as despesas com o tratamento em Garanhuns
e quando Odulfo se recuperasse, assinaria com o clube da Pajuçara. O
jogador recusou a proposta. Naquele tempo era feio trocar de camisa.
Dez anos depois, aconteceu a mesma coisa com o ponteiro Anizio do CSA,
machucado e abandonado pelo seu clube, não aceitou a proposta do CRB,
que pagaria as despesas médicas em troca da mudança de camisa. Casos
como estes não devem acontecer nos dias de hoje. Antigamente havia o
amadorismo e o amor verdadeiro pelos clubes. Atualmente, o
profissionalismo quase não permite esse tipo de comportamento. Apesar dos casos citados, em 1922 aconteceu a primeira transferência de
um atleta do CRB para o CSA. Os rivais jogaram duas partidas
amistosas. Na primeira, um empate de 2x2. Na segunda, uma vitória do
CSA por 3x0. Um triunfo que foi ruidosamente comemorado pela torcida
azulina com uma passeata, da Pajuçara até o centro da cidade.
Revoltados, com o revés, a torcida e alguns dirigentes do CRB,
responsabilizaram o goleiro Mendes pela derrota. Ofendido, Mendes
deixou o clube da Pajuçara e abandonou o futebol. Entretanto, meses
depois, foi convidado para jogar no CSA e aceitou. Sua estréia foi no
amistoso contra o América de Recife, no dia 5 de fevereiro de 1923. |
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