A temporada do América do Recife

O ano de 1923 foi um dos mais movimentados no futebol alagoano. A temporada do América de Recife foi uma das atrações para a torcida alagoana. O clube pernambucano, bi- campeão nos anos de 1921 e 1922, era o grande time do Nordeste. Sua chegada a Maceió, em fevereiro, para dois jogos, somente trouxe benefícios para o futebol alagoano. Empolgado com os bons espetáculos que estavam sendo apresentados, a torcida lotou o estádio do Mutange nas duas apresentações esmeraldinas.

O América chegou a Maceió, vindo da capital pernambucana, viajando de trem. Aqui, foi recebido por dirigentes e torcedores do CSA, além de uma Banda Musical, que tocava dobrados e o hino do clube azulino. Entre os diretores do CSA estavam o Coronel Arsênio Araújo, Francisco Silveira e Antônio Buarque. Em passeata, os visitantes foram levados para o Hotel Luso Brasileiro, onde hoje está a Agência Central do Banco do Brasil no centro da cidade.

Depois do segundo jogo, a diretoria do clube alagoano ofereceu aos visitantes um baile no luxuoso Clube Fenix Alagoano. Às onze horas da noite, no centro do salão, os presentes fizeram um grande semicírculo em torno dos presidentes dos dois clubes. O Coronel Arsênio Araújo falou em nome do CSA, oferecendo um lindo bronze e uma rica taça de prata ao tri- campeão pernambucano. Em nome do América falou seu orador Dr. Elpidio Branco, que agradeceu as sucessivas homenagens feitas a sua delegação, e pediu permissão para, retribuindo as gentilezas, oferecer ao CSA uma Taça de prata dourada. O chefe da delegação, Comendador Ernesto Leça, também usou da palavra para doar ao presidente do clube alagoano, uma faixa de sócio honorário do América. A faixa era de seda verde mar com um belo monograma de prata com as três letras do clube homenageado. As danças se prolongaram até as duas horas da madrugada, sempre com muita animação e cordialidade. Terminado o baile, bondes especiais levaram os convidados para suas residências.

O primeiro jogo foi realizado no dia 4 de fevereiro e o América venceu o CSA por 2x1, mostrando todo poderio de uma equipe que era famoso em todo Nordeste. O CSA abriu a contagem com Nelcino,  Zé Tarso e Jújú deram a vitória ao clube pernambucano. No  dia 6, um novo jogo e o CSA venceu por 4x3. Foi uma das mais eletrizantes partidas de futebol da nossa história. Jújú fez 1x0 para o America, Nelcino empatou, Bráulio fez 2x1 para o CSA, Zé Tarso empatou outra vez, Odulfo fez 4x2 para os alagoanos e  Jújú voltou a marcar para o América. Foi uma vitoria consagrada e que repercutiu nos grandes jornais de Recife. Americanos e azulinos jogaram as duas partidas com os mesmos jogadores. O CSA formou com Mendes, Osvaldo e Hilário, Campelo Mimi e Geraldino, Bráulio, Alyrio, Odulfo, Murilo e Nelcino. O América atuou com Nezinho, Romulo e Faustino, Lyndolfo, Moreira e Zizi,  Lapinho, Leça, Zé Tarso, Jújú e Araujo.