Dramas do futebol brasileiro

Barbosa               O goleiro Barbosa

       Quase cinqüenta anos depois do desastre do Maracanã, o goleiro Barbosa ainda convivia com aquele gol de Gighia. Dia 16 de julho de 1950, decisão do mundial. Maracanã lotado. O maior estádio do mundo foi construído para a vitória, estava completamente cheio e pronto para comemorar o titulo de campeão mundial de futebol. Aos trinta e seis minutos do segundo tempo com o resultado de 1x1, veio o lance fatal. Gighia recebeu de Schiafino em profundidade, bate bigode na corrida, e chuta entre Barbosa e a trave. Era o gol do título para os uruguaios, o gol do desespero para os brasileiros. A derrota que transformou o dia 16 de julho de 1950, no dia de finados para o nosso futebol. Um lance que marcou para sempre, um dos maiores goleiros da história do futebol brasileiro – Moacir Barbosa.

         Para o resto de sua vida, aquela tragédia permaneceu vida na memória de Barbosa. Nunca deixaram que ele apagasse o lance fatal. Duzentos mil torcedores comprimidos no Maracanã e a lembrança é todo estádio em silêncio, pessoas imóveis, caladas, tristes, recendo com espanto e sem acreditar naquele gol que permanece até hoje.

        Barbosa foi culpado? Achamos que não. Não se pode culpar um único jogador por uma derrota. Entretanto, a justiça dos torcedores foi cruel no seu veredicto – Barbosa foi condenado por um crime que não cometeu. Ele que estava a pouco menos de dez minutos para se transformar em herói, de repente, passou a ser um eterno e desacreditado vice campeão. Moacir Barbosa faleceu e levou consigo a mágoa de ter sido crucificado pela opinião publica por um erro que não foi somente seu.