Dramas do futebol brasileiro

Heleno de Freitas

Heleno

       Advogado, boêmio, catimbeiro, boa vida, arrogante, galã, mas um homem nervoso, quase intratável. Depois de onze anos jogando futebol, Heleno de Freitas entrou para a história como um dos maiores craques do futebol sul-americano. Suas jogadas e gols deslumbraram os torcedores. 

       Começou em 1934 jogando pelo juvenil do Botafogo, clube que aprendeu a amar, e logo se tornou sócio-atleta. Ainda nos juvenis, teve um rápida passagem pelo Fluminense. Retornou ao Botafogo onde permaneceu até 1948, quando foi contratado pelo Boca Junior da Argentina, onde passou pouco tempo. Quando voltou ao Brasil, vestiu a camisa do Vasco da Gama onde conquistou seu único título de campeão carioca em 1949. Brigou com o treinador Flávio Costa e foi jogar na Liga Pirata da Colômbia. Em 1951 retornou ao Brasil e assinou com o América carioca. No clube de Campos Sales somente jogou 35 minutos e foi expulso. Foi também, seu primeiro e único jogo no Maracanã. A partida foi contra o São Cristovão e o América perdeu por 3x1.

       Heleno de Freitas era quase perfeito em tudo. Nos gols de classe. Nas jogadas de alta categoria. E nas cabeçadas maravilhosas. Entretanto, Heleno estava doente e não sabia. A sífilis corroia sua cabeça e isso lhe criava muitos problemas. Às vezes, não entendia os erros dos companheiros que lhe passava uma bola errada. Por isso, brigava com os colegas, xingava os adversários, discutia com os árbitros. Se Heleno de Freitas não fosse um craque maravilhoso, ninguém o suportaria. Foi campeão brasileiro e sul-americano defendendo por muitos anos as seleções cariocas e brasileiras.

       Heleno ganhou fama e dinheiro. Viveu sempre entre mulheres bonitas e homens inteligentes. Em Buenos Ayres, quando jogou pelo Boca Junior, se tornou intimo da família do presidente Peron. No Museu do Esporte, existente na Colômbia, foi erguido um busto em sua homenagem as suas grandes jogadas que tanto encantaram os colombianos.

      Heleno nunca quis ir ao um médico para fazer um exame rigoroso e um tratamento sério da doença que o atormentava. Ele era genioso e quando abandonou o futebol, por insistência de amigos e parentes, foi examinado e constatado sífilis na cabeça em estado bastante adiantado. Heleno teve que ser internado num sanatório na cidade de Barbacena em Minas Gerais. No dia 8 de dezembro de 1959, a imprensa brasileira noticiava a morte Heleno de Freitas. Morria um dos mais elegantes jogadores do futebol brasileiro. O enterro aconteceu na sua cidade natal, São João do Napomuceno, em Minas Gerais. Morreu longe da torcida, dos dirigentes e com companheiros. Entretanto, a cidade chorou a perda do seu filho mais ilustre.

O goleiro Barbosa >>