Campeonato brasileiro de seleções/1954
Alagoas 4 x Paraíba 3
 
Seleção Alagoana de 1952 - base daquele time
 

O torcedor gosta de emoções. Gosta de vibrar com os gols do seu clube preferido. Muitos já foram os jogos realizados que trouxeram emoções e gols para a torcida alagoana. Um desses jogos aconteceu pelo campeonato brasileiro de seleções de 1954, no campo do Mutange. Nesta partida aconteceu de tudo um pouco. Teve drama, tristeza, ansiedade, emoção e muitos gols. O torcedor saiu feliz, principalmente por Alagoas ganhar, virando o marcador de 1x3 para um sensacional 4x3. 

Durante a semana que antecedeu ao jogo, o plantel da seleção foi sacudido por um caso disciplinar. O zagueiro Dirson não aprovada a escalação do goleiro Almir. Ele afirmava abertamente que Alagoas precisava vencer e Almir não tinha a experiência necessária para enfrentar os paraibanos. O goleiro ideal seria o veterano Epaminondas. O plantel se dividiu. O treinador Aurélio Munt manteve a escalação de Almir e do zagueiro Dirson que era titular da posição. Talvez devido aos fatores extra-campo, nossa seleção fez um péssimo primeiro tempo com a defesa alagoana atrapalhada, principalmente o pivô dos acontecimentos, Dirson. Apesar disso, os primeiros 45 minutos terminaram com 1x1. Bequinho fez o gol dos alagoanos, o paraibano Ruivo descontou.

No intervalo, a torcida tentou agredir o zagueiro Dirson que era apontado como culpado pela má atuação da equipe. Foi necessário a intervenção da polícia  para proteger o zagueiro. Nervosos, os jogadores voltaram para o segundo tempo com Bequinho fazendo numero na ponta esquerda. Ele estava contundido e, na época, não havia substituição. Para piorar a situação, a seleção paraibana fez mais dois gols através de Alfredinho e Zezinho.

A partir dos 3x1, aconteceram coisas que somente a raça, a fibra, a capacidade de reação dos nossos jogadores poderiam proporcionar. Quando Tonheiro marcou o segundo gol, a torcida  se modificou e passou a ajudar a seleção. Os gritos de incentivo mexeram com os brios de nossos atletas que começaram a correr em um ritmo alucinante. Dida aparecia como a grande figura da partida e comandou a reação do time. Dida fez os gols que definiram a vitória alagoana por 4x3. O gol da vitória foi no embalo da torcida e de maneira sensacional. Depois de driblar vários paraibanos, ficou sem angulo, mesmo assim, chutou para vencer o goleiro Harry Carrey e fazer a torcida explodir de contentamento. Quando o juiz Waldomiro Brêda apitou o final da partida, o campo foi invadido pelos torcedores  que fez um verdadeiro carnaval para comemorar um jogo que estava perdido e se transformou numa das mais maravilhosas viradas do futebol alagoano. A torcida esqueceu os problemas acontecidos durante a semana, e até o zagueiro Dirson participou da festa.

       Dida, o grande nome do jogo, era o mais festejado. Até o governador Arnon de Melo esteve nos vestiários para abraçar os jogadores, principalmente o artilheiro Dida. Logo depois, Dida viajaria para o Rio de Janeiro contratado pelo Flamengo, clube que defendeu por mais de dez anos.