História do Remo capixaba

Victor Cardoiso

       Este é um trabalho de Victor Cardoso Ferreira que concluiu seu primeiro estudo cientifico sobre o REMo capixaba.

São informações que poderão servir para pesquisa de nossos internautas.

CENTRO UNIVERSITÁRIO VILA VELHA
CURSO DE GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO FÍSICA





VICTOR CARDOSO FERREIRA




A TRAJETÓRIA DOS TÍTULOS INTERNACIONAIS
DO REMO CAPIXABA



VILA VELHA
2005

VICTOR CARDOSO FERREIRA



A TRAJETÓRIA DOS TÍTULOS INTERNACIONAIS
DO REMO CAPIXABA

Monografia apresentada ao Programa de Graduação em Educação Física, Esporte e Lazer do Centro Universitário Vila Velha, como requisito parcial para a obtenção do Grau em Licenciatura Plena em Educação Física, Esporte e Lazer. Orientadora: Profª. Mônika Mello Queiroz.



VILA VELHA
2005


Dedico este trabalho primeiramente à Deus, pois sem ele nada teria sentido;

Aos meus pais que me incentivaram e acreditaram nos meus ideais;

Aos meus avós, que acompanharam e torceram pela minha vitória;

À Karina Vargas, pelo amor, compreensão, carinho, dedicação e paciência inesgotável;
Ao amigo Ronaldo Vargas, pelos conselhos;

Ao meu avô, que não pôde estar ao meu lado nesse momento mágico e tão esperado da minha vida.

AGRADECIMENTOS
À minha orientadora, Mônika Mello Queiroz, pelo respeito e confiança em minha capacidade;

Aos professores que me acompanharam durante essa jornada; meus colegas de curso, pelo incentivo, companheirismo e críticas construtivas;

A todos aqueles que, de forma direta ou indireta, colaboraram para a conclusão deste trabalho.

“O único homem que nunca comete erros é aquele que nunca faz coisa alguma. Não tenha medo de errar, pois você aprenderá a não cometer duas vezes o mesmo erro".
(Franklin Theodore Roosevelt)

RESUMO

As conquistas do remo capixaba em regatas internacionais tornaram-se fator de grande motivação para a prática do esporte no Espírito Santo. Com a realização de competições no Estado, mostra-se o grande número de novos adeptos angariados pela modalidade, abrindo, assim, um campo de trabalho para os profissionais de Educação Física. Este estudo é histórico descritivo e tem como objetivo relatar as conquistas do remo capixaba, baseando-se nos resultados internacionais. Foram utilizadas consultas bibliográficas (livros, periódicos e sites relacionados ao tema), documentos, consultas a especialistas, arquivo público, arquivos pessoais, arquivos da Federação de Remo do Espírito Santo e da Confederação Brasileira de Remo. Contudo, este trabalho resgata o remo desde a sua chegada ao Espírito Santo, passando pelas dificuldades que o esporte percorre até os seus momentos de glória. Nessa trajetória será possível identificar fatores e personalidades que contribuíram significativamente para a história do remo capixaba, com destaque para os clubes locais e os títulos internacionais

ABSTRACT

The capixaba’s rowing position in the international races ranking have became the main factor of motivation to the sport practice in Espírito Santo. The winership in the State points out the great number of interested people in this type of sports creating opportunities for professional in this sport area. This subject is to highlight the historical way of the capixaba’s rowing sports, showing the domestic conquest based on foreign results. The present study has been directed to caracter of being a detailed history. Thus, based on the bibliography such as books, periodics issues and websites related to this matter, documents, experts publics files and priveted documentation. Rowing Federation Files of The State of Espírito Santo as well as of the Rowing Brazilian Confederation. However, this research is to remember the rowing trajectory since its started up in Espírito Santo in the beginning of 1900, trough out its days difficulties up to its great moments. In this way, we will want to identify the facts and personalities who have contributed significantly to the capixaba´s rowing emphasizing the local teams and the international conquests.

LISTA DE SIGLAS



ADFVRD Associação Desportiva Ferroviária do Vale do Rio Doce
AOB Academia Olímpica Brasileira
AON Academias Olímpicas Nacionais
BFR Botafogo de Futebol e Regatas
CBD Confederação Brasileira de Desportos
CBR Confederação Brasileira de Remo
CNB Clube Náutico Brasil
CNRAC Clube de Natação e Regatas Álvares Cabral
COB Comitê Olímpico Brasileiro
CODT Centro Olímpico de Desenvolvimento de Talentos
COI Comitê Olímpico Internacional
CRF Clube de Regatas do Flamengo
CRSG Clube de Regatas Saldanha da Gama
CRVG Clube de Regatas Vasco da Gama
FDE Federação Desportiva Espírito-santense
FEARES Federação de Remo do Espírito Santo
FISA Federação Internacional de Remo
SEMC Secretaria Municipal de Cultura
SEMESP Secretaria Municipal de Esportes
SUMÁRIO


1. INTRODUÇÃO..................................................................................11 2. O PROBLEMA..................................................................................12
2.1 OBJETIVO GERAL............................................................................12
2.2 JUSTIFICATIVA.................................................................................13
2.3 METODOLOGIA...............................................................................13
2.3.1 TIPO DE ESTUDO............................................................................13
3. O REMO NO MUNDO.......................................................................15
3.1 ORIGEM E EVOLUÇÃO....................................................................15
3.2 COMITÊ OLÍMPICO INTERNACIONAL............................................17
3.2.1 FEDERAÇÃO INTERNACIONAL DE REMO...................................19
3.2.2 AS REGRAS.....................................................................................21
3.2.2.1 AS RAIAS..........................................................................................21
3.2.2.2 AS REGATAS...................................................................................21
4. O REMO NO BRASIL.......... ........................................................... 23
4.1 ORIGEM E EVOLUÇÃO................................................................... 23
4.2 CLUBES DE DESTAQUE..................................................................25
4.3 COMITÊ OLÍMPICO BRASILEIRO....................................................26
4.3.1 OBJETIVOS......................................................................................27
4.3.2 MOVIMENTO OLÍMPICO..................................................................27
4.3.3 ACADEMIA BRASILEIRA OLÍMPICA..............................................28
4.3.4 CENTRO OLÍMPICO DE DESENVOLVIMENTO DE TALENTOS...28
4.3.5 COMITÊ OLÍMPICO BRASILEIRO HOJE........................................29
4.3.6 CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE REMO...................................30
5. LEIS...................................................................................................33
5.1 LEI AGNELO/PIVA............................................................................33
5.2 LEI JAYME NAVARRO DE CARVALHO...........................................34
6. O REMO NO ESPÍRITO SANTO......................................................36
6.1 ORIGEM E EVOLUÇÃO................................................................... 36
6.2 FEDERAÇÃO DE REMO DO ESPÍRITO SANTO.............................39
6.3 CLUBES DE DESTAQUE.................................................................40
7. PROJETOS.......................................................................................42
7.1 PROJETO NAVEGAR.......................................................................42
7.2 PROJETO JOVENS DE FIBRA.........................................................42
8. AS CONQUISTAS INTERNACIONAIS.............................................44
8.1 EX- ATLETAS DE DESTAQUE.........................................................46
8.2 ATLETAS DE DESTAQUE NA ATUALIDADE..................................50
8.3 EX- TÉCNICOS DE DESTAQUE......................................................52
8.4 TÉCNICOS DE DESTAQUE NA ATUALIDADE................................53
9. CONCLUSÃO....................................................................................54
10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.................................................55
APÊNDICE........................................................................................57
APÊNDICE A ....................................................................................58
1. INTRODUÇÃO

Um dos principais fatores que motivaram¹ a realização deste estudo é por inferir que o esporte capixaba - assim como os esportes brasileiros - possui escassas sistematizações acerca de sua história.

Quando me refiro ao esporte, trato o mesmo de forma globalizada sem excluir quaisquer modalidades.

Segundo Tani, Go (apud FENSTERSEIFER, 2005, p. 128), “[...] esporte é um patrimônio cultural da humanidade que respeita um processo de criação, transmissão e transformação, dado que lhe confere uma natureza dinâmica. Além disso, ao esporte deve ser atribuída uma visão de múltiplas perspectivas, tanto na manifestação do rendimento quanto no conteúdo da Educação Física.

Nesse contexto, o remo é uma das modalidades esportivas pioneiras no surgimento de grandes clubes não só no Espírito Santo, mas também no âmbito nacional.

Segundo definição da Confederação Brasileira do Remo, ele é um esporte no qual um barco se desloca com ou sem timoneiro pela força muscular de um ou mais remadores, usando remos como alavancas e sentados de costas para a direção do movimento do barco.

Dessa forma, este estudo pretende resgatar a história do remo capixaba, relatando suas conquistas internacionais.


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¹ Além disso, confesso nunca ter tido nenhum envolvimento com esse esporte até minha vinda para Vitória. Quando acordava nas manhãs para ir para as aulas na escola ficava admirado por tamanha dedicação dos atletas do remo que acordavam de madrugada para treinar.


2. O PROBLEMA

O problema de estudo a ser abordado nesta pesquisa enfocará os momentos de destaque do remo capixaba no contexto internacional. Para tanto, propomos analisar a seguinte questão:

Qual a trajetória histórica do remo espírito-santense em relação à aquisição de títulos internacionais?

2.1 OBJETIVO GERAL

O estudo tem como objetivo investigar a história do remo capixaba desde o seu surgimento no início do século até a atualidade (2005), identificando especificamente como desenvolveu-se a busca pela aquisição de títulos internacionais nessa modalidade, assim como a contribuição dos atores aí envolvidos. Tais como, atletas, ex-atletas, técnicos e ex-técnicos.

2.2 JUSTIFICATIVA

Este estudo justifica-se socialmente, visto que o Espírito Santo contextualizou-se com inserção de remadores de destaque que tiveram em sua carreira diversas conquistas em competições internacionais, tornando o remo capixaba um ícone, conquistando o reconhecimento nacional e internacional.

Conforme levantamento bibliográfico, identificou-se que no Estado não se registra estudos científicos relacionados ao remo capixaba e a literatura que aborda sobre o assunto é escassa.

Faz-se relevante cientificamente, pois promove a oportunidade de sistematizar dados que registram análises sobre a trajetória de uma modalidade esportiva pouco explorada em pesquisas da área, em especial no Estado do Espírito Santo.

2.3 METODOLOGIA


2.3.1 TIPO DE ESTUDO

Este estudo é histórico-descritivo.

A pesquisa histórica tem como objetivo relacionar eventos passados com seus efeitos presentes buscando uma compreensão crítica desses efeitos. A investigação fornece aproximações possíveis e não prováveis dos fatos. È uma atividade que depende do levantamento de hipóteses a respeito do fenômeno ocorrido. É um estudo de fundamentalmente interpretativo (THOMAS; NELSON, 2002).

A pesquisa descritiva procura determinar a natureza e a intensidade de um fenômeno. O objetivo é a descrição das condições existentes (THOMAS;NELSON, 2002).

Foram utilizadas consultas bibliográficas (livros, periódicos e sites relacionados ao tema), documentos, consultas a especialistas, arquivo público, arquivos pessoais, arquivos da Federação de Remo do Espírito Santo e da Confederação Brasileira de Remo.

3. O REMO NO MUNDO

3.1 ORIGEM E EVOLUÇÃO

Cerca de 2000 a.C. um faraó egípcio organizou uma frota com mais de 400 embarcações movidas a remo - sua esquadra, naquela época. Na história militar e comercial do antigo Egito e até na civilização Pré-Helênica de Creta, encontram-se registros indiscutíveis da importância e influência do remo no surgimento dos povos imperialistas e conquistadores da Antigüidade (REDGRAVE, 1997).

As primeiras competições de remo foram disputadas na Grécia, mais precisamente em Eneida, por volta de 19 a.C. O príncipe de Tróia, Enéias, com o intuito de homenagear seu pai promoveu uma disputa entre quatro barcos, movidos por 200 prisioneiros acorrentados ao bote.

Ainda segundo o autor, os egípcios evoluíram na habilidade e os gregos na tecnologia, com a criação do apoio para os remos, que antes não eram usados pelos remadores.

No século XVI, os marinheiros que trabalhavam na travessia de passageiros do Rio Tamisa, em Londres, viravam atração em festas da cidade.

Em 1715, foi organizada a primeira regata na Inglaterra: a Doggett’s, que é disputada ainda nos dias de hoje anualmente em barcos Single Skiff (com apenas um remador). A partir daí, o remo chegou às raias universitárias de Oxford, Eton e Westminster. Em 1815, surgiu o primeiro clube de remo: o inglês Leander Club, o mais antigo do mundo, tendo sua fundação feita em 1817. Em 1829, teve início a famosa regata Oxford-Cambridge, que assim como a Doggett’s, é disputada até os dias de hoje (SILVA, 1987).

Ainda segundo o autor, nesse tempo, o esporte estava sendo difundido por toda
Europa e América do Norte, mais especificamente no Canadá e nos Estados Unidos. Sendo que esse último possui a Regata de Poughkeepsie, onde competem as Universidades de “Yale-Harvard”, desde 1852.

As primeiras sociedades náuticas surgiram na França, em 1840. Como observamos anteriormente, essas competições realizadas na Inglaterra e nos Estados Unidos eram disputadas por Universidades tradicionais em seus respectivos países, tais como: Oxford, Cambridge, Yale e Harvard.

Com a evolução do remo, começaram a aparecer as primeiras variáveis do esporte que nos dias de hoje foram permanecidas. Essas variações são de um a oito homens, com ou sem timoneiro (ou patrão) - que é o tripulante encarregado de orientar o barco e os companheiros.

No seu início, o remo era disputado em barcos grandes e pesados, mas com a evolução do esporte, esses barcos começaram a ser confeccionados por materiais mais leves e de alta tecnologia e as habilidades tanto do barco quanto dos atletas foram aprimoradas, trazendo um melhora surpreendente nos resultados.

Em 1896, ocorreu a retomada dos Jogos Olímpicos e a cidade escolhida não poderia ser outra a não ser, Atenas, o berço dos Jogos Olímpicos. A escolha foi feita pelo barão Pierre de Cobertin e foi conhecido como os Jogos da Era Moderna. Uma era que já não dava ao desporto o poder de interromper guerras, mas, ao contrário, era interrompido por elas. Nestes cem anos, o quadriênio olímpico silenciou seu toque de reunir nos anos de 1916, 1940 e 1944, durante a vigência das Guerras Mundiais.

Devido ao mau tempo em 1896, a estréia do remo foi adiada para os Jogos Olímpicos de Paris, em 1900.

Mas foi nos VII Jogos Olímpicos disputados na cidade belga de Antuérpia que o remo brasileiro fez a sua estréia. Nessa edição, foi introduzido o famoso símbolo das Olimpíadas, os cinco anéis de cores diferentes entrelaçados que significam a união do mundo, de todos os povos. Tendo cada continente representado por um anel.
Com uma estréia discreta em Jogos Olímpicos, o remo brasileiro não se classificou para as finais. Entretanto, empolgada com a sua estréia em Jogos Olímpicos, a delegação de remo do Brasil se preparou melhor para os VIII Jogos Olímpicos, que foram disputados no ano de 1924, na cidade francesa de Paris, conseguindo então a sua melhor colocação: a quarta posição, fato que se repetiria nos XXV Jogos Olímpicos, disputados em 1984, na cidade americana de Los Angeles.

3.2 COMITÊ OLÍMPICO INTERNACIONAL

Fundado em 23 de junho de 1894 pelo Barão Pierre de Coubertin, o Comitê Olímpico Internacional (COI) é uma organização não governamental e sem fins lucrativos, tendo sua sede em Lausanne, na Suíça. Esta entidade máxima do esporte mundial reúne 199 países, entre eles o Brasil e inúmeras federações internacionais esportivas como a Fédération Internacionale des Sociétés d’Aviron (FISA).

A missão do COI é promover o Olimpismo² e o Movimento Olímpico Internacional, fazendo do esporte um elo de aproximação e congregação entre os diferentes povos, raças, culturas e religiões.

O COI é o responsável pela realização dos Jogos Olímpicos de Verão e dos Jogos Olímpicos regidos pela carta Olímpica, documento que resume os princípios fundamentais do olimpismo, definindo a organização e funcionamento do Movimento Olímpico e fixando as condições para a celebração dos Jogos Olímpicos.

A fim de evitar o gigantismo dos Jogos Olímpicos, o que poderia tornar inviável a organização dos mesmos, o COI vem limitando o número de participantes nessa competição. Como por exemplo, para os Jogos Olímpicos de Atenas em 2004, a entidade limitou um número máximo de 10.500 atletas.


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² Olimpismo é um estado de espírito, filosofia que engloba uma concepção particular do esporte moderno. O esporte, ao propagar-se, contribui para o desenvolvimento do indivíduo e da humanidade em sua totalidade. A filosofia olímpica, além da sua essência eminentemente pacifista, busca o estabelecimento de relações internacionais de cordialidade. Os ideais do Olimpismo são a participação em massa, o papel educacional do esporte, o espírito esportivo, o intercambio cultural e a excelência.


Assim, para que um esporte, modalidade ou prova seja disputado nos Jogos
Olímpicos, este deverá entrar no lugar de algum outro esporte, modalidade ou prova. A decisão de quem entra ou sai do Programa dos Jogos Olímpicos é tomada pelo COI, a partir de análises técnicas. Assim, para ser incluído no Programa dos Jogos Olímpicos, um esporte deve satisfazer alguns critérios, tais como:

· Para os Jogos Olímpicos de Verão ser praticado no mínimo em 75 países e
quatro continentes, no caso dos homens, e no mínimo de 40 países e três continentes, no caso das mulheres;

· Para os Jogos Olímpicos de Inverno ser praticado no mínimo em 25 países
de três continentes, sem distinção entre homens e mulheres;

· Aplicar controle de doping pregado pelo Movimento Olímpico e também
realizar este controle fora das competições, de acordo com as regras vigentes;

· Os esportes serão admitidos no Programa Olímpico pelo menos sete anos
antes da realização dos Jogos Olímpicos em questão.


3.2.1 FEDERAÇÃO INTERNACIONAL DE REMO

A Federação Internacional de Remo ou Fédération Internacionale des Sociétés d’Aviron (FISA) foi fundada em 25 de junho de 1892, por representantes da França, Suíça, Bélgica e parte da Itália. É a mais antiga das federações internacionais de esportes no movimento olímpico.

Sua missão é promover o remo em todo o mundo, firmando-se como uma universidade da prática do esporte. Em diversos países, a FISA possui comitês olímpicos nacionais que lutam até os dias de hoje pelo desenvolvimento da prática do remo, suas regras e a filiação de novos esportistas. Além disso, cabe à Federação proteger e reforçar os valores do remo, com destaque para os aspectos educacionais, de cooperação e encorajamento.

Para a FISA, o remo é um esporte para ser praticado a vida inteira por todos, sem restrição de classe econômica, raça ou religião. Entre seus objetivos, estão manter e promover os princípios éticos do remo, desenvolvendo e pesquisando novas formas para a prática do esporte, além de incentivar os esportistas e dar assistência à formação de novos clubes e federações nacionais. Ela pretende criar, ainda, novas escolas de remo e promover campeonatos internacionais, além de organizar regatas olímpicas.

O Congresso é a suprema autoridade da FISA, que controla suas atividades. Ele é composto por delegações da federação nacional, que são conseqüentemente membros da FISA. Ao todo são 118 federações, dentre elas o Brasil.

Além disso, a FISA conta com uma equipe (Staff) formada por 10 membros que dão suporte à Direção nas áreas de Comunicação, Administração, entre outras áreas. Atualmente, ela é presidida por Denis Oswald, e tem sede na Suíça.

3.2.2 AS REGRAS

As regras são regulamentadas pela Fédération Internacionale des Sociétés d’Aviron (FISA), tanto para o remo, quanto para o remo adaptável.

3.2.2.1 AS RAIAS

As provas de remo são disputadas em raias de 500m e 1000m de comprimento em caso de atletas iniciantes e em modo de exibição e em raias de 2000m de comprimento no caso de regatas oficiais, tendo ambas medindo 13,5 metros de largura. Tanto em regatas de exibição quanto nas regatas oficiais contam pontos, tendo a única diferença no comprimento das raias.

Assim como na natação, bóias são usadas para impedir que barcos entrem nas vias de navegação dos adversários. Apesar do número de raias chegar a nove, apenas seis são utilizadas.

3.2.2.2 AS REGATAS
A regata de remo é uma competição esportiva que consiste em uma série de provas disputadas por remadores (as) divididos em diferentes categorias, de acordo com o sexo e a idade de cada um dos participantes. As regatas são realizadas com oito variações, que são as seguintes:

· Single Skiff (1X) - barco com apenas um remador. O atleta usa um par de remos;

· Double Skiff (2X) - barco com dois remadores, cada atleta com um par de remos;

· Four Skiff (4X) - barco com quarto remadores, sendo que cada atleta possui um par de remos;

· Dois sem timoneiro ou patrão (2-) – barco com dois remadores, sendo que cada atleta possui um único remo;

· Dois com timoneiro ou patrão (2+) – barco com dois remadores, sendo que cada atleta possui um único remo e um timoneiro, responsável por ditar o ritmo da remada, dar instruções e conduzir o barco;

· Quatro sem timoneiro ou patrão (4-) – barco com quatro remadores, sendo que cada atleta possui um único remo;

· Quatro com timoneiro ou patrão (4+) – barco com quatro remadores, sendo que cada atleta possui um único remo e um timoneiro para ditar o ritmo da remada, dar instruções e conduzir o barco;
· Oito com timoneiro ou patrão (8+) +) – barco com oito remadores, sendo que cada atleta possui um único remo e um timoneiro para ditar o ritmo da remada, dar instruções e conduzir o barco.

4. O REMO NO BRASIL

4.1 ORIGEM E EVOLUÇÃO

No Brasil há registros de competições com simples canoas nos leitos dos nossos rios, provenientes de desafios de grupos de amigos sem maiores pretensões. Mas em 1865, finalmente foi realizada a primeira regata no país, no Rio Grande do Sul, com a passagem do então Imperador do Brasil na época, Dom Pedro II. Ao chegar na cidade, o monarca foi homenageado com a realização da chamada Regata Imperial, onde triunfou a guarnição dos hamburgueses, capitaneada por Félix Kessler. Os vencedores receberam das próprias mãos de Dom Pedro II suas medalhas de ouro e finas faixas bordadas com fitas douradas, com a inscrição "Regata Imperial" (SILVA, 1987).

E somente em 1888 o remo voltaria ao Brasil, agora através dos Alemães radicados no país. Sua chegada foi discreta na capital gaúcha de Porto Alegre, ainda durante a monarquia o esporte evoluiu à medida que os investimentos foram feitos.

Registra-se a disputa de provas em 13 de maio de 1888, na Enseada de Botafogo, no Rio de Janeiro, com a participação das guarnições da Escola Militar e Naval, que passou a ser chamada de “Regata da Abolição”. Oficialmente, somente em 5 de junho de 1898, foi realizada a primeira regata no Rio de Janeiro.

Em 21 de novembro do mesmo ano, era fundado o primeiro clube de remo do Brasil, o Ruder-Club Porto Alegre, situado na capital do Rio Grande do Sul. A origem do nome do clube deve-se ao fato de “Ruder” significar remo em alemão. Hoje, clube chama-se Clube de Regatas Guaíba-Porto Alegre (GPA) e detém o título de "Mais Antigo do Brasil".

A idéia de fundar um clube de remo em Porto Alegre foi do jovem Alberto Bins que veio a conhecer o esporte em uma viagem à Europa. Os dois primeiros barcos do clube foram trazidos da Alemanha, tendo chegado a Porto Alegre no dia 6 de junho de 1889, recebendo a denominação de Olga e Elisa, nomes de suas respectivas madrinhas, Olga Englert e Elisa Bins.

Segundo Silva (1987, p.32), a primeira regata oficial aconteceu no dia 24 de novembro de 1895, em Porto Alegre. Com o nome de “Wanderpreiss”, era disputada apenas por dois clubes: o Ruder-Verein Germania, o Ruder-Club Porto Alegre.

Silva ainda destaca que, o prêmio era disputado anualmente e ficava de posse transitória da agremiação vencedora de cada regata. Ao final, ficaria de posse definitiva da que o vencesse por três anos consecutivos. Assim, o mesmo poderia ser adjudicado definitivamente ao cabo de apenas três anos ou perdurar em disputa durante dezenas de anos.

A partir daí, o esporte difundiu-se por todo o país com dezenas de clubes sendo fundados. As principais regatas eram realizadas nas águas da Praia de Botafogo, com uma presença muito boa – tanto por parte dos atletas quanto por parte do público. Esse segundo era estimado a 50.000 pessoas quando realizadas na Lagoa Rodrigo de Freitas.

Hoje o remo é representado nos Estados brasileiros através das federações ligadas à Confederação Brasileira de Remo, situadas nas seguintes cidades: Amazonas (AM), Bahia (BA), Brasília (DF), Vitória (ES), Pará (PA), Paraná (PR), Pernambuco (PE), Rio de Janeiro (RJ), Rio Grande do Norte (RN), Rio Grande do Sul (RS), Santa Catarina (SC), São Paulo (SP) e Sergipe (SE).

A maioria dos grandes clubes brasileiros originou-se do remo e, com o passar dos anos, o esporte foi perdendo o seu espaço para a paixão nacional que é o Futebol, mas não seu charme a ser exibido nas regatas que acontecera até os dias de hoje nas raias brasileiras (SILVA, 1987).

4.2 CLUBES DE DESTAQUE

A Confederação Brasileira de Remo destaca 19 clubes de remo no país sendo eles: Esporte Clube Vitória (BA), Clube de Natação e Regatas Álvares Cabral e Clube de Regatas Saldanha da Gama (ES), Clube do Remo e Payssandú Sport Clube (PA), Clube Náutico Capibaribe e Sport Club do Recife (PE), Botafogo de Futebol e Regatas, Clube de Regatas Vasco da Gama e Clube de Regatas do Flamengo (RJ), Sport Clube de Natal (RN), Clube de Regatas Guaíba Porto-Alegre e Grêmio Náutico União (RS), Clube Náutico Francisco Martinelli, Clube Náutico Riachuelo e Clube de Regatas Aldo
Luz (SC) e Clube Esperia, Clube de Regatas Bandeirante e Sport Club Corinthians Paulista (SP).

4.3 COMITÊ OLÍMPICO BRASILEIRO

O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) foi criado no dia 08 de junho de 1914, na sede da Federação Brasileira das Sociedades de Remo, na cidade do Rio de Janeiro, por iniciativa da Liga Metropolitana de Esportes Atléticos. Foi o primeiro Comitê Olímpico Internacional da América do Sul.

No entanto, esse Comitê, presidido na época por Fernando Mendes de Almeida, não chegou a funcionar devido ao início a Primeira Guerra Mundial, que destruiu a Europa e impossibilitou a realização dos Jogos Olímpicos previstos para Berlim, na Alemanha, em 1916.

Somente em 20 de maio de 1935, o COB voltou a ser reorganizado numa iniciativa dos representantes brasileiros do Comitê Olímpico internacional (COI): ministro Raul do Rio Branco, Arnaldo Guinle e José Ferreira Santos. Iniciativa que contou ainda com o apoio e incentivo do Conde Henri de Baillet-Latour, então presidente do COI. O primeiro presidente do Comitê Olímpico Brasileiro nessa nova etapa foi Antônio Prado Júnior.

Entretanto, mesmo antes de contar com um Comitê oficial organizado, o desporto Olímpico do Brasil já era reconhecido pelo COI. Em 1923, mais dois representantes do Brasil elegeram-se: Arnaldo Guinle, um dos grandes incentivadores da criação do Comitê Olímpico Brasileiro, e José Ferreira Santos.
Outra prova do reconhecimento do Brasil como integrante do órgão Internacional está no convite feito ao país para participar dos Jogos Olímpicos de 1920, em Antuérpia, na Bélgica. Dois anos depois, o COI aprovaria a realização dos Jogos Latino-Americanos, na cidade do Rio de Janeiro. A competição fez parte das comemorações do centenário da independência do Brasil, em 1922.

Foi a partir dos Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936, que o COB, reorganizado, passou a ser órgão responsável oficialmente pelas Delegações Brasileiras enviadas à competição. Antes disso, o órgão encarregado era a então chamada Federação Brasileira de Sports, criada em 1914, e depois transformada em Confederação Brasileira de Desportos (CBD).

4.3.1 OBJETIVOS

Os principais objetivos do COB são representar o Olimpismo e difundir o ideal olímpico no território brasileiro, além de organizar e dirigir a participação do Brasil nos Jogos Olímpicos, Pan-Americanos, Sul-Americanos e em outros da mesma natureza ou realizá-los quando o Brasil for sede. Sua função também é representar o esporte olímpico brasileiro junto ao COI, mantendo relações com os Comitês Nacionais Olímpicos de outros países e com as Federações Internacionais Esportivas.

4.3.2 MOVIMENTO OLÍMPICO

A fundação do Movimento Olímpico caracteriza-se na liberdade civil e política, na
sociedade para o desenvolvimento do mundo e na igualdade na ordem econômica, social e cultural. Sua finalidade é educar a juventude por meio da prática esportiva sem qualquer tipo de discriminação e dentro do espírito olímpico, que exige compreensão mútua, amizade, solidariedade e fair-play. Integram o Movimento Olímpico o COI, as organizações esportivas, os atletas e todos que aceitam a Carta Olímpica.
4.3.3 ACADEMIA OLÍMPICA BRASILEIRA

A Academia Olímpica Brasileira (AOB), fundada em 28 de agosto de 1998, é um órgão do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) que tem por objetivo o desenvolvimento da Educação Olímpica por meio de estudos e pesquisas no Brasil e por via de intercâmbio com entidades similares no exterior.

Para cumprir o seu propósito, ela integra a rede de Academias Olímpicas Nacionais (IOA), com sede em Olímpia e Atenas, na Grécia.


O principal foco de atividades da Academia é a produção de estudos e investigações por pesquisadores e entidades universitárias, na perspectiva de utilização – no contexto brasileiro – de conhecimentos gerados localmente e de forma descentralizada. O ponto de partida dos eventos promovidos pela AOB é a tradição do Olimpismo, originado das proposições do Barão Pierre de Coubertin desde o final do século XIX, devidamente reajustado às condições culturais do Brasil.

4.3.4 CENTRO OLÍMPICO DE DESENVOLVIMENTO DE TALENTOS

Cerca de 6.000 jovens de até 17 anos serão atendidos diariamente pelo Centro Olímpico de Desenvolvimento de Talentos (CODT) do Comitê Olímpico Brasileiro (COB). O CODT será construído em um terreno de 250.000 metros quadrados, em frente à estação de trens do Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro, e terá alojamento para 300 pessoas. A idéia é transformar o local em um centro integrado de ação esportiva, cultural, social e profissional sob a direção do ex-atleta olímpico, Agberto Guimarães. De acordo com o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, um dos maiores objetivos será o de evitar a frustração dos jovens que sabem ter talento e não são aproveitados.

O Centro buscará atender esses jovens que, mesmo que não sigam no esporte, aprenderão uma atividade profissional que será útil para sua vida.
O COB levantará os custos para execução das obras e partirá em busca de parcerias e patrocínios que viabilizem esse projeto. Serão construídos locais de treinamento para várias modalidades esportivas: tiro com arco, judô luta greco-romana, luta livre, ginástica artística, ginástica rítmica desportiva, esgrima, boxe, entre outros.


Com a vitória da candidatura do Rio de Janeiro para sediar os Jogos Pan-Americanos de 2007, o COB pôs parte do terreno à disposição da prefeitura da cidade carioca como uma das opções que a administração municipal tinha para decidir onde construir um estádio olímpico para o evento.

A conclusão das obras do Centro Olímpico de Desenvolvimento de Talentos está prevista para setembro de 2006.

4.3.5 COMITÊ OLÍMPICO BRASILEIRO HOJE

O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) é presidido atualmente pelo advogado carioca Carlos Arthur Nuzman, ex-integrante da seleção brasileira masculina de voleibol nos Jogos Olímpicos de Tóquio, no Japão, em 1964. Nuzman tem como vice-presidente André Gustavo Richer, que presidiu o Comitê entre 1990 e 1995. Juntos, eles implantaram uma nova filosofia de trabalho para a entidade.
Hoje, o COB alia às funções tradicionais uma série de outras importantes atividades, como a promoção de eventos e elaboração de projetos que visam ao aperfeiçoamento do esporte olímpico no Brasil.


Tendo sua sede na cidade do Rio de Janeiro, o COB conta com os patrocínios da Olimpikus, Coca-Cola, Petrobras, Sadia, Oi e Caixa Econômica Federal.

4.3.6 CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE REMO

Em 25 de novembro de 1977, na sede da Confederação Brasileira de Desportos (antiga CBD), no Rio de Janeiro, foi realizada uma Assembléia Especial da CBD, presidida pelo Dr. Lon Teixeira de Menezes, para eleger uma Diretoria Provisória para a Confederação Brasileira de Remo, em cumprimento à Portaria nº 648, de 05 de outubro de 1977, do Ministro da Educação e Cultura. Ela autorizava a criação de várias Confederações Olímpicas, cujos esportes, entre eles o remo, estavam até então subordinados à CBD. A assembléia contou com a presença dos representantes de várias Federações de Remo Brasileiro.

Também estiveram presentes ao ato histórico de fundação da CBR os desportistas Carlos Osório de Almeida, diretor jurídico da CBD e membro do Comitê Olímpico Brasileiro, Osmar de Souza e Wilson Reeberg, respectivamente assessor administrativo e assessor técnico do Departamento de Desportos Aquáticos da CBD, além dos advogados Athos Pimentel e Samuel Sabat.
Os representantes das federações elegeram, provisoriamente, os Drs. Lon Teixeira de Menezes e Henrique Licht, para os cargos de presidente e vice-presidente, respectivamente, os quais ficaram com a incumbência de adotarem os procedimentos legais para a regularização da CBR, inclusive o registro do Estatuto da nova Confederação, num prazo de 30 dias.

Em nova assembléia geral, realizada em 12 de fevereiro de 1978, a CBR passou a ter uma Presidência e Vice-presidência efetivas, quando foram eleitos, por unanimidade, para um período de três anos (1978/1981) os desportistas Lon Teixeira de Menezes, para presidente, e para vice-presidente, Sérgio Ribeiro
Lins de Alvarenga.

De acordo com uma resolução da Assembléia Especial da CBR, as Federações que se filiassem dentro de três meses à CBR também seriam consideradas fundadoras, como foi o caso das Federações de Remo de Brasília e do Espírito Santo, que se filiaram nesse período. Posteriormente, foram fundadas outras federações do esporte.

Com o passar dos anos, algumas federações mudaram de nome e de estrutura, sendo uma delas a Federação Desportiva Espírito-Santense que passou a se chamar, Federação de Remo do Espírito Santo.

No Brasil, a Confederação Brasileira de Remo (CBR) é a entidade responsável por organizar o esporte e atualmente é presidida pelo carioca Rodney Bernardes de Araújo, sendo considerado o maior expert em regras de remo no país. Como dirigente, Rodney, começou na Federação de Remo do Estado do Rio de Janeiro e em seguida, passou por quase todos os postos da Confederação Brasileira de Remo. Atualmente, está no seu quinto mandato. Foi ainda chefe de delegações de remo que disputaram Campeonatos Sul-Americanos, mundiais, Jogos Pan-Americanos e olímpicos.

A Confederação Brasileira de Remo é filiada à Confederação Sul-Americana de Remo (CSAR), e à Fédération Internationale des Sociétés d'Aviron (FISA).
Promove no âmbito nacional as Copa Norte/Nordeste de Remo, Copa Sul/Sudeste de Remo e o Troféu Brasil de Remo das categorias Júnior, Seniores, Peso-leve (masculino e feminino). Participa também dos grandes eventos mundiais, tais como Olimpíadas, Campeonatos Mundiais, Jogos Pan-Americanos e Campeonatos Sul-Americanos.

5. LEIS


5.1 LEI AGNELO/PIVA

Sancionada pelo presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, em 16 de julho de 2001, a Lei nº 10.264 – conhecida como Lei Agnelo/Piva por causa do nome de dois de seus autores, Pedro Piva e o atual ministro do Esporte Agnelo Queiroz – estabelece que dois por cento da arrecadação bruta de todas as loterias federais do país sejam repassados ao COB (85%) e ao Comitê Paraolímpico Brasileiro (15%). Da parte que cabe ao COB, este é obrigado a aplicar cinco por cento no esporte universitário e dez por cento no esporte estudantil.

Em agosto de 2001, o COB criou o "Fundo Olímpico", a partir do qual as verbas oriundas da Lei Agnelo/Piva são distribuídas às Confederações Brasileiras Olímpicas, conforme rigorosos critérios técnicos estipulados pelo COB.

Em 28 de janeiro de 2003, o Comitê Olímpico Brasileiro apresentou a prestação de contas técnica e financeira da utilização da verba da Lei no ano de 2002, em uma atitude ímpar e pioneira no esporte brasileiro. Apesar do conservadorismo na previsão de arrecadação e no planejamento de investimentos, a fim de dar passos seguros que garantam que esse marco do esporte brasileiro possa se converter num crescimento real, os resultados técnicos obtidos pelos atletas e o aumento da qualidade de gestão pelas Confederações em 2002 superaram as expectativas mais otimistas.

A prestação de contas foi fiscalizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU). E em março de 2003, o COB lançou o Boletim Brasil Olímpico, informativo trimestral que informa os principais resultados dos atletas e projetos das Confederações transformados em realidade graças aos recursos da lei.

No segundo semestre de 2003, as Confederações Brasileiras Olímpicas começaram a receber uma complementação de verba com base nesses recursos. Esta complementação, num total de R$ 3,48 milhões, se refere ao aumento da arrecadação relativa à previsão inicial feita pelo COB em janeiro de 2003, quando a entidade projetou os valores a serem recebidos ao longo de 2003.

A aprovação dessa lei representou o maior volume de recursos já destinados ao desenvolvimento do esporte olímpico no Brasil.


5.2 LEI JAYME NAVARRO DE CARVALHO

A Secretaria Municipal de Esportes (Semesp) tem diversos programas e eventos patrocinados pela Lei Jayme Navarro de Carvalho de incentivo ao esporte a aos atletas amadores.

Além dos projetos desenvolvidos, anualmente, a Semesp realiza em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura (Semc) o Projeto Vitória Cidade Sol, que reúne na arena da Praia de Camburi, diversas modalidades esportivas, entre os meses de dezembro e janeiro.

Ainda por meio da Lei Jayme Navarro de Carvalho, a Secretaria apóia campeonatos de natação, ginástica rítmica desportiva, iatismo, voleibol, ciclismo, handebol, remo, judô, vôlei de praia, triatlon, duatlon, e tênis.

Criada em 11 de setembro de 1991, pelo então prefeito Vitor Buaiz, a Lei Jayme Navarro de Carvalho é um convênio de cooperação mútua da Prefeitura Municipal de Vitória com as federações de esporte amador e olímpico do município, abrangendo dois programas:

· Calendário Anual de Campeonatos e/ou Eventos Esportivos das Federações: onde os incentivos financeiros auxiliam os atletas nos custos das competições nacionais e internacionais, desde que as mesmas estejam presentes no calendário;
· Adote um atleta: apóia com um subsídio para ajudar no treinamento do esportista amparado pela lei.

O objetivo é dar apoio às federações, liberando recursos financeiros para que elas possam realizar campeonatos e/ou eventos esportivos durante o ano, conforme consta em seus calendários, bem como difundir as modalidades esportivas.

Quando a lei entrou em vigor, contava com a participação de sete federações beneficiadas com recursos. De 1991 a 1998, foram adotados 243 atletas, de acordo com os critérios estabelecidos pela mesma.

Hoje, estão cadastradas 48 federações, entre elas a Federação de Remo do Espírito Santo, com 18 remadores amparados pela lei.

6. O REMO NO ESPÍRITO SANTO

6.1 ORIGEM E EVOLUÇÃO

Sem atrativos no início do século, surge em Vitória as primeiras práticas de modalidades esportivas, com suas regatas marcadas pela comemoração do dia dedicado a Santa Catarina. Naquela época não existia cinemas, teatros ou casas noturnas, como nos dias de hoje. Os moradores desse aglomerado provinciano de moradias e casas espalhadas por morros e ruas muito estreitas, não tinham outras opções a não ser trabalhar e ir à praia (SILVA, 1999).

O autor ainda ressalta que no centro de Vitória, havia várias casas comercias, mas três delas – de origem portuguesa – seriam de suma importância para o surgimento do remo no Estado. Como o remo era o esporte da moda na época, surgiu então, através dos proprietários e trabalhadores dessas três grandes casas de comércio o primeiro clube capixaba: Clube de Natação e Regatas Álvares Cabral, fundado em 6 de julho de 1902 e primeiramente com sua sede na Vila Rubim, onde ficava situada a sua garagem, mas precisamente ao lado da “Ponte Seca” (SILVA, 1999).

Nessa época, acredita-se que outros esportes já eram praticados na capital, mas o primeiro movimento clubístico no Estado ocorreu através do remo. E a expansão dos clubes não parava por aí, apenas 23 dias após a fundação do Clube de Natação e Regatas Álvares Cabral surge mais um clube: o Saldanha da Gama, fundado após briga de alguns remadores do Álvares Cabral. Com esse desentendimento, os remadores – com o intuito de criar um clube rival ao que eles defendiam – fundaram o Saldanha da Gama, no dia 29 de julho de 1902, começando aí a maior rivalidade do esporte no Espírito Santo.
O Saldanha da Gama fincou suas raízes em um dos pontos mais belos da cidade, de frente para a Pedra do Penedo, no histórico Forte São João. O clube entregou sua sede ao Governo do Estado, em 2003, e deverá construir uma nova sede na Enseada do Suá, num dos pontos mais nobres da capital. Enquanto isso não acontece, segue utilizando-se de favor aquela que um dia foi a única em condições de uso nas terras capixabas.

Com o surgimento desses dois clubes, não demorou muito para acontecer a primeira competição oficial de remo em Vitória. A mesma foi realizada no dia 06 de setembro de 1903, ou seja, menos de um ano após o surgimento do primeiro clube a praticar o esporte no Estado. Com um barco composto por seis remos, o Saldanha da Gama conquistou essa primeira regata com o barco chamado “Alacy”, tendo como patrão Cipriano Cabral e os remadores César Pinto, José Freitas, Carlos Neto, Emílio Schimidt, Nicolau Von Schilgen e Antônio Freitas.

Apesar da primeira competição ter ocorrido no ano de 1903, a próxima competição oficial só iria acontecer no ano de 1928, com mais uma vitória do clube do Forte São João, fato que se repetiria até o ano de 1934.

Em 1935, o título mudou de mãos e foi para a equipe cabralista, quebrando a série de oito títulos consecutivos dos barcos do Saldanha da Gama.

Com o desenvolvimento do remo capixaba, o esporte foi caindo no gosto da população, que acompanhava assiduamente as regatas na baía de Vitória e na raia de Santo Antônio. Assim, novos clubes surgiram impulsionados pela febre do remo.
Em novembro de 1921, surge o mais novo clube da capital: o Clube Náutico Brasil, que está em atividade até os dias de hoje, conquistando muitos títulos e dando muito trabalho aos remadores cabralistas e saldanhistas.

O remo capixaba passou por inúmeras dificuldades no decorrer dos anos, mas o esporte tinha que evoluir. De 1970 até 1976, não foi realizada nenhuma competição oficial na capital. O fato deve-se ao aterro da Vila Rubim para a construção da “Ponte Seca”.

Com a volta das competições em 1977, o Saldanha da Gama larga em grande estilo e conquista o primeiro título após a paralisação das competições. Fato aquele que aumentaria ainda mais a rivalidade com seu arqui-rival Álvares Cabral.

No final dos anos 80 surge aquela que seria a única representante do remo capixaba que não era de Vitória, a então Associação Desportiva Ferroviária do Vale do Rio Doce. A alegria te ter mais um clube não durou muito tempo, em 1997 por motivos financeiros o clube fechou suas portas para o remo.

Mas, a rivalidade entre os clubes de Vitória foi marcada por histórias muito interessantes no decorrer dos anos. Alfinetadas nos jornais eram dadas antes e após as regatas pelos dirigentes dos clubes. Os fatos que entraram para a história do remo capixaba não se resumiriam apenas fora dos barcos. Na segunda regata oficial do ano de 1966, um equívoco do juiz acabou o levando à água remadores do Álvares Cabral. Eles tinham acabado de vencer o “oito” do Saldanha da Gama, mas a arbitragem deu vitória ao clube do Forte São João. Transtornados com a decisão do árbitro, os remadores do Álvares Cabral se atiraram na água e nadaram de encontro ao juiz Délio Grijó, que no auge da discussão foi atirado na água pelos remadores cabralistas, numa completa indisciplinada atitude, antiesportiva e acima de tudo desrespeitosa. O juiz foi auxiliado pelos outros juízes.


Após o ocorrido, a Federação Capixaba de Remo julgou os remadores cabralistas envolvidos na confusão e os condenou a seis meses de suspensão das competições oficiais. Logo, o Saldanha da Gama conquistou o campeonato estadual de remo daquele ano.


6.2 FEDERAÇÃO DE REMO DO ESPÍRITO SANTO


A Federação de Remo do Espírito Santo (Feares) foi fundada no dia 13 de maio de 1982, com o intuito de promover, incentivar e desenvolver o remo no Estado. Antes de ser criada, o remo capixaba era vinculado à antiga Federação Desportiva Espírito-santense.


A Federação de Remo do Espírito Santo teve como seu primeiro presidente o Sr. Paulo Valiate Pimenta, ex-atleta do remo capixaba. Atualmente, a Federação é presidida pelo Sr. João Sidney da Cruz.

A entidade conta com três clubes federados, sendo eles: Clube de Natação e Regatas Álvares Cabral, Clube de Regatas Saldanha da Gama e o Clube Náutico Brasil. Conta com 1.333 remadores filiados, englobando todas as categorias.

Por se tratar do órgão máximo do remo no Estado, a Federação é a responsável pelo calendário das competições, tanto em provas realizadas no mar quanto em lagoas.

6.3 CLUBES DE DESTAQUE

Clube de Natação e Regatas Álvares Cabral - CNRAC

O clube teve sua fundação no dia 06 de julho de 1902 por portugueses que residiam em Vitória, tendo como seu primeiro presidente o Sr. Américo Dias Leite. O clube decidiu adotar as cores e a bandeira de outro clube de origem lusitana, o Clube de Regatas Vasco da Gama.
O clube teve como sua primeira sede, um barracão na Vila Rubim. Já em 1934, o clube adquiriu um prédio na praça Costa Pereira, permanecendo até a década de 50.


Hoje, a sede social do clube está instalada em Bento Ferreira, de frente para a Prefeitura Municipal de Vitória e banhado pelas as águas da baía de Vitória.


Clube de Regatas Saldanha da Gama - CRSG


O clube teve sua fundação no dia 29 de julho de 1902, motivada por jovens capixabas que se sentiram inconformados com a exclusão do remo no CNRAC.


O clube teve como sua primeira sede um barracão na Vila Rubim, no centro da capital. Entretanto, não se tem informação precisa da data que ocorreu a mudança para o Forte São João, mas lembra-se que a água do mar banhava o forte.
Hoje a sede foi reintegrada ao clube, após ser entregue ao Governo do Estado. Projetos de revitalização tramitam na Prefeitura Municipal de Vitória.


Clube Náutico Brasil – CNB
O Clube Náutico Brasil foi fundado no dia 10 de novembro de 1921. Sua primeira sede foi na Ilha do Príncipe, próximo a rodoviária de Vitória. Antes de se transferir para a sede atual, em Santo Antônio, o Náutico Brasil teve uma sede provisória na Vila Rubim. Ao contrário dos rivais Álvares e Saldanha, a garagem de remo do clube não fica na sua sede social, mas nas proximidades do Sambão do Povo, no centro da capital.

7 PROJETOS


7.1 PROJETO NAVEGAR


Apesar das condições privilegiadas de nosso território, os esportes que têm a sua prática restrita a poucos, tem na vela seu maior exemplo. Como o atletismo, a vela é quem mais medalhas olímpicas conquistou para o País, criando novos talentos que irão contribuir em muito no crescimento de uma sociedade mais consciente de suas responsabilidades para preservação do planeta.


A proposta do Projeto Navegar, desenvolvido pela Prefeitura Municipal de Vitória, é de popularizar as diversas modalidades esportivas, tendo como objetivo geral a construção da cidadania, incentivando a prática de esportes náuticos entre os jovens da rede pública de ensino (de 12 a 15 anos), estreitando-se o elo entre o desporto e a educação, influenciando positivamente a formação do caráter do indivíduo.


7.2 PROJETO JOVENS DE FIBRA

Em 2005, o Clube de Natação e Regatas Álvares Cabral, em parceria com a Unidade de Negócio da Petrobras no Espírito Santo (UN-ES), iniciou o Projeto Jovens de Fibra. O projeto é dirigido aos jovens das comunidades vizinhas ao clube, com idade acima de 18 anos, e tem como objetivo capacitá-los a trabalhar com o processo de laminação de fibra de vidro para a construção de barcos de competição de remo, garantindo assim, geração de emprego e renda para os envolvidos e fortalecendo a identidade do clube e do esporte. Além disso, também proporciona a prática do remo para crianças e adolescentes e a possibilidade desses atletas representarem o Espírito Santo em competições estaduais, nacionais e internacionais.

7.3 AS CONQUISTAS INTERNACIONAIS


O Espírito Santo é sem dúvida alguma, um dos percussores do remo no Brasil. Mesmo tendo sua chegada ao país no Rio Grande do Sul, foi na região sudeste que ele se consolidou. O remo, que ditava a moda no Rio de Janeiro no início do século XX, também marcava presença na vida esportiva dos jovens capixabas e ia ganhando espaço na sociedade da época. Após sua chegada a capital do estado, o esporte demorou exatos 50 anos após a fundação do seu primeiro clube, que foi o Clube de Natação e Regatas Álvares Cabral (CNRAC) para conseguir a sua primeira conquista internacional. Essa conquista entraria para a história não só do esporte no estado e sim do país. No II Campeonato Sulamericano de Remo, realizado no Chile, o barco 2 + comandado pelo timoneiro Francisco Augusto Furtado e pelos remadores João Arruela Maio e Harry Mosé conquistaram o 1º lugar trazendo então um título inédito para o Brasil em competições de Remo na época, fato esse, que se repetiria pelos mesmos em 1954 no III Campeonato Sulamericano de Remo.


Em 1969, Vitória cediou o Campeonato Luso-brasileiro de Remo, suas regatas foram realizadas na Baía de Vitória e teve a participação de remadores capixabas representando o Brasil e de remadores portugueses que representavam Portugal. Nesta competição a equipe brasileira representada pelos capixabas conquistaram cinco títulos nas provas do 8 +, 4 +, Double Skiff, Skiff e 2 - . Nessas respectivas provas estavam presentes os remadores Walmir Zanotti, Wladeci Zanotti, Aldérico Silva, Júlio Pereira, Atílio Zotique, Gelson Cortelette, Rafael Ronchi e Wellington Barcelos no 8 + tendo como timoneiro Wilson Cortelette; Aldérico Silva, Júlio Pereira, Atílio Zotique e Gelson Cortelette no 4 + tendo como timoneiro Onório Ramos Neves ; Nero Pimenta e Etroaldo Evaldo no Double Skiff ; Luiz Carlos Carneiro no Skiff e Walmir Zanotti e Rafael Ronchi no barco 2 - .

No XV Campeonato Sulamericano de Remo, realizado no Uruguai o barco 4 + composto de Luiz Carlos dos Santos Quinamo, Luciano Santos Rezende, Estevaldo Silva Santos e Carlos Ruy Marins e tendo como timoneiro Wallace Tarcísio Pontes, conquistou o primeiro lugar na competição.


Mais uma vitória capixaba aconteceria nos II Jogos Sulamericanos realizados no Argentina em 1982, o barco 4 – tendo como remadores José Cláudio Lazarotto, Mauro dos Santos, Sérgio Stancza e Marcos Antonio Boina venceu a competição, conquistando mais um título no remo.


Não só de primeiro lugar viveria o remo capixaba, em 1987 nos XI Jogos Desportivos Pan-americano realizados nos Estados Unidos da América (EUA), o barco 2 - conquistou o terceiro lugar com gostinho de primeiro. Após terem tido problemas na largada o barco da equipe brasileira composta pelos remadores José Augusto de Almeida e por João Francisco Deboni ainda conseguiram um heróico terceiro lugar.


O remo capixaba voltaria ao cenário internacional em 1993 no XI Campeonato Sulamericano de Remo Juvenil, realizado no Peru. O barco 8 + que tinha como timoneiro Vinícius Moysés Nascimento e composto pelos remadores Eduardo Guardia, Frabrício Lobato, Vinicius Flávio Pereira, Arlindo Anchieta, Dione Sousa Gomes, Raphael Carneiro, Bruno Mersson e Humberto Malenza, conquistaram o segundo lugar, subindo pela última vez ao podium em competições internacionais até os dias de hoje em 2005.


Ao contrário do trabalho que era realizado no remo capixaba nas décadas de 50 e 60 nas quais o remo capixaba obteve um maior destaque no esporte em âmbito nacional e internacional, o trabalho realizado no remo nos últimos cinco anos visa conquistas de médio a longo prazo, inclusive os Jogos Panamericanos do Rio de Janeiro em 2007.


Como podemos ver, o remo capixaba cataloga oito títulos internacionais, um segundo lugar e um terceiro lugar em conquistas no exterior. Podemos encontrar em ordem cronológica todas essas conquistas juntamente com seus atores. Ver Apêndice A, p. 59.


8.1 EX-ATLETAS DE DESTAQUE


João Arruela Maio


O atleta João Arruela Maio nasceu na Praia do Suá, em Vitória, no dia 24 de julho de 1929. Começou a dar suas primeiras remadas aos 15 anos de idade no Álvares Cabral, impulsionado pelo seu pai, tradicional pesador da Praia do Suá.


Arruela remou pouco mais de dez anos, mas representou o esporte nas Olimpíadas de Helsinque e conquistou o bi campeonato Sul-americano, o campeonato brasileiro, inúmeros títulos capixabas e o campeonato carioca quando remou pelo Clube de Regatas do Flamengo (CRF).

Harry Mosé


Harry Mosé nasceu em Vitória e, ao lado do seu amigo Arruela, formava uma dupla imbatível, fato que o fez participar dos Jogos Olímpicos de Helsinque. Ele conquistou títulos importantes para o remo, tais como o bi-campeonato Sul-americano, um campeonato brasileiro, nove títulos capixabas e um título carioca.


Elísio Ribeiro (Mussum)


Lendário remador capixaba, Elísio Ribeiro é mais conhecido como Mussum. Ele cometeu a proeza de bater juntamente com a sua guarnição os então bicampeões sul-americanos Harry e Arruela. O fato que fez com que Mussum fosse considerado a sensação do ano de 1958. Nesse mesmo ano, o poliatleta Jayme Navarro de Carvalho conquistou o título de melhor atleta capixaba do ano. Mussum remou no Saldanha da Gama antes de se transferir para o Álvares Cabral e foi eleito o melhor remador do Espírito Santo em 1954 e 1955.


José Ribeiro de Oliveira (Caranguejo)


Irmão de Mussum, José Ribeiro de Oliveira é mais conhecido como Caranguejo. Muitas das vezes fez dupla com o irmão e conquistou vários títulos capixabas, mostrando assim que o remo está no sangue da família Oliveira.




Edson Fidélis de Assis (Cobra d’água)


Edson nasceu em Vitória e começou a remar no Álvares Cabral, em 1949. Ele permaneceu no clube até conquistar o pentacampeonato. Em seguida, transferiu-se para o Clube de Regatas Vasco da Gama com o intuito de correr o “oito” nos Jogos Pan-americanos de Chicago. Com um pouco mais de 20 anos, Edson ficou no clube cruzmaltino de 1956 a 1958 e em seguida, Edson foi para o Clube de Futebol e Regatas Botafogo (BFR). Após sua passagem pelos clubes cariocas, o atleta veio para Vitória, onde foi contratado pelo Saldanha para impedir que o Álvares Cabral conquistasse o decacampeonato – no ano de fundação da sede social do clube cabralista. O fato acabou se consumando. A equipe cabralista inaugurou sua sede sem o decacampeonato.


Walmir Zanotti (Neno)

Nascido em Vitória, Walmir Zanotti remou pelo Álvares Cabral durante dez anos e conquistou inúmeros títulos capixaba, brasileiro e um Campeonato Luso-brasileiro. Nessa ocasião, o atletai venceu no “oito” juntamente com os remadores Waldeci Zanotti (“Zé da mala”), Aberíco Silva, Julio Perreira (“Glu- glu”) Gelson Cortelette, Atílio Zotequi, Rafael Ronchi, José Augusto (“Pé de rodo”), tendo como técnico e timoneiro da equipe, Wilson Cortelette (“Bicuíba”).


Wilson de Freitas Coutinho


O atleta nasceu em Vitória e remou pelo Saldanha da Gama, clube no qual o homenageou dando o seu nome ao ginásio de esportes do clube. Remador conhecido pelo temperamento forte e por fazer estripulias com seu avião monomotor na baía de Vitória, em 1936, se transferiu para o Clube de Regatas do Flamengo, com o intuito de disputar os Jogos Olímpicos da Alemanha.


Wilson conquistou inúmeros títulos estaduais pelo Saldanha da Gama e foi por diversas vezes campeão brasileiro.


Após derrota em uma final do campeonato Sul-americano, nos últimos metros, venceu os mesmos oponentes em uma regata internacional realizada na Argentina.


Claudiomar Iung de Oliveira (Formiga)


Mais conhecido como “Formiga”, o atleta nasceu na cidade de Porto Alegre e remou pelo Clube de Regatas do Flamengo, onde conquistou o Campeonato Sul-americano de Juniores (1985). Além disso, conquistou o Troféu Brasil de Remo (1996), foi segundo colocado no Campeonato Sul-americano (1996), quarto colocado no Mundial de Remo (1997) e chegou em terceiro lugar no Troféu Brasil Sênior (1999).


Na sua chegada ao Álvares Cabral em 2001, conquistou o campeonato Sul-americano (2001), três vezes a Copa Norte-Nordeste de Remo e conquistou o terceiro lugar nos Jogos Pan- americanos de Santo Domingo, em 2003.


Atualmente, participa das oficinas de remo do Projeto Jovens de Fibra, ensinando crianças e adolescentes.

8.2 ATLETAS DE DESTAQUE NA ATUALIDADE


Segundo a Confederação Brasileira de Remo, atualmente o remo capixaba conta com quatro atletas de destaque. São eles: Alexis Arias Mestre, Alisson Oliveira Araújo, Diego Barcellos Nascimento, Magno Assereuy Barbosa e Vinícius Moysés Nascimento.

Alexis Arias Mestre


O atleta capixaba começou a remar no Clube de Natação e Regatas Álvares Cabral, onde tornou-se bi-campeão do Troféu Brasil de Remo. Alexis teve uma passagem meteórica pelo Clube de Regatas do Flamengo, em 1999, onde disputou o troféu Brasil de Remo, no mesmo ano. Após essa frustrante passagem, Aléxis ficou parado até o início de 2005, quando retornou suas atividades no Clube Náutico Brasil, conquistando o 2º lugar no Troféu Brasil de Remo, realizado em São Paulo, em 2005.


Alisson Oliveira Araújo

Bi-campeão Brasileiro e bi-campeão da Copa Norte/Nordeste de Remo, Alisson Oliveira Araújo atualmente rema pelo Clube de Natação e Regatas Álvares Cabral, clube o qual o projetou. Ele conquistou o terceiro lugar no Troféu Brasil de Remo, realizado em São Paulo, em 2005.
É um dos remadores de maior renome no Estado, na atualidade. O atleta está participando de uma bateria de testes, juntamente com a seleção brasileira de remo permanente, com muitas chances de representar o esporte nos Jogos Olímpicos da China.


Diego Barcellos Nascimento


Atleta capixaba do Clube de Natação e Regatas Álvares Cabral, foi cinco vezes vice-campeão do Troféu Brasil de Remo e uma vez campeão desta competição. Em 2004, Diego integrou a Seleção Brasileira Universitária de Remo. Esse ano, o atleta conquistou o terceiro lugar no Skiff, pelo Centro Universitário Vila Velha (UVV), após a conquista do terceiro lugar nos Jogos Universitários Brasileiros.


Diego não conseguiu patrocínio para custear as despesas na viagem para disputar o Campeonato Mundial Universitário, realizado na França. Após a decepção de não poder disputar o Mundial, Diego não se abateu e conquistou o segundo lugar no Troféu Brasil de Remo, realizado em São Paulo.


Ao lado de Alisson, Diego segue com fortes chances de integrar a Seleção Brasileira de Remo permanente.


Vinícius Moysés Nascimento


Vinícius começou sua carreira como remador pelo Clube de Natação e Regatas Álvares Cabral, conquistou o segundo lugar no XI Campeonato Sulamericano de Remo realizado no Peru, representando o Brasil no barco 8+. Além do vice-campeonato Sulamericano, Vinícius é Tetra-campeão da Copa Norte/Nordeste de Remo e quatro vezes vice-campeão do Brasil de Remo.


Em Abril de 2005, Vinícius transferiu-se para o Clube Náutico Brasil após briga com seu clube de origem .



8.3 EX-TÉCNICOS DE DESTAQUE

O remo capixaba reúne três grandes ex-técnicos de destaque que contribuíram diretamente para as conquistas e evolução do esporte. São eles: Francisco Augusto Furtado e Wilson Cortelette.
Francisco Augusto Furtado além de técnico tornou-se bi-campeão Sulamericano de Remo como timoneiro ao lado de Harry Mosé e Arruela. Mesmo sem ter formação em Educação Física, Chiquito como era carinhosamente conhecido, iniciou sua carreira como técnico comandando o clube Cabralista, em 1952, e encerrou sua carreira como técnico em 1954, no mesmo ano no clube que o projetara.


Já Wilson Cortelette, foi técnico do Álvares Cabral no ano de 1979. Nesse único ano como técnico, Bicuíba como era conhecido, conquistou inúmeros títulos com o clube. Em 1979, ele teve uma briga com os dirigentes do clube e resolveu encerrar sua carreira como técnico. Pouco tempo depois foi chamado a retornar ao clube, mas negou o convite devido problemas com a administração do clube na época.

8.4 TÉCNICOS DE DESTAQUE NA ATUALIDADE


João Luiz do Nascimento é formado em Educação Física pela Ufes e é o único técnico em atividade no Estado que tem especialização em remo. Foi técnico do Clube de Natação e Regatas Álvares Cabral de 1993 a 2003. Em 2004, João Luiz assumiu o cargo de técnico de remo do Clube Náutico Brasil. Antes mesmo de ir para o Náutico ele o foi convidado para assinar pelo Sport Club Corinthians Paulista e pela Confederação Brasileira de Remo. A proposta não foi aceita, pois o mesmo acredita na reestruturação e revitalização do remo capixaba.



9. CONCLUSÃO


Além de se tratar de um esporte centenário no Estado do Espírito Santo, um dos primeiros a chegar por aqui, o remo evoluiu consideravelmente e iniciou o primeiro movimento clubístico no Estado, movimento este que se perdura até os dias atuais.


Ao me referir às conquistas do passado, quero destacar a luta que os antepassados desse esporte travaram para que conseguissem obter as conquistas realizadas. Atletas esses, que por falta de incentivo e organização chegavam a competir com barco, remos e vestimentas emprestadas por outros competidores.


Além das heróicas conquistas internacionais obtidas em época de dificuldades e sem incentivo por parte do poder público e privado, o remo capixaba também revelou atletas que são, até hoje, lembrados como verdadeiras lendas do esporte. Como João Arruela Maio e Harry Mosé, que estarão para sempre na memória do remo.

Longe de cessar o estudo deste esporte, pretende-se que ele sirva de referência para outros pesquisadores, a fim de preservar a identidade histórica e desportiva do Estado do Espírito Santo.

Sendo assim, conclui-se que tudo aquilo que se realiza com planejamento, determinação, força de vontade, comprometimento, amor e conhecimento técnico sempre tem uma chance de obter resultados mais expressivos. Não seria o remo capixaba que fugiria deste contexto, comprovando, então, toda a força que o remo tem nos cenários esportivos estadual, nacional e internacional.


10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


ARRUELA, o esforço pessoal de um ídolo. Século, Espírito Santo, ano 2, n. 13, mar. 2001, p. 22 - 24.

DUARTE, Orlando. História dos Esportes. 1 ed. São Paulo: Makron Books, 2000.

GONZALEZ, Fernando Jaime; FENSTERSEIFER, Paulo Evaldo. Dicionário crítico de Educação Física. ed. Unijuí, Rio Grande do Sul, 2005, p. 128 - 129.

LEI JAYME NAVARRO DE CARVALHO. Disponível em: . Acesso em: 06 set. 2005.

MARTINS, Gilberto de Andrade. Manual para Elaboração de Monografias e Dissertações. 3ª edição. São Paulo. 2002. Editora: Atlas S. A. 134p.

NEVES, Reinaldo Santos. Escritos de Vitória. Vitória: Prefeitura Municipal, Secretaria de Esportes, 1996.

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