|
|
Aurélio Miguel
Arquivos do Museu dos Esportes
O começo de Aurélio Miguel como judoca não foi muito fácil. Contrariado, ele vestiu seu primeiro quimono aos quatro anos, por determinação do pai e orientação médica para atenuar problemas respiratórios. Aos poucos, Aurélio Miguel foi se acostumando ao judô e, em 72, ganhou seu primeiro título: campeão pré-mirim do torneio Budokan, em São Paulo, defendendo a academia de Vila Sônia.O primeiro título internacional de Aurélio foi conquistado na Finlândia, em 82. Um ano depois, aos 19 anos, foi considerado o melhor judoca do país pelo Comitê Olímpico Brasileiro, depois de ganhar o Mundial Júnior.. Em grande forma em 84, nome certo na equipe que iria a Los Angeles, ele acabou desafiando a Confederação Brasileira de Judô e ficou fora das Olimpíadas, sendo substituído por Douglas Vieira, que ganharia a medalha de prata.Depois que fez as pazes com os dirigentes, Aurélio dedicou-se integralmente aos treinamentos, no intuito de não perder mais sua posição de titular absoluto da equipe brasileira. Nestes quatro anos de preparação dura, em que abdicou do lazer, da família e do estudo, ele acumulou uma série de vitórias, ganhando medalha de bronze no Mundial e sagrando-se campeão nos Jogos Pana-mericanos de 87, em Indianápolis. O auge da carreira de Aurélio veio em Seul, no dia 30 de setembro de 1988, quando conquistou a medalha de ouro na categoria meio-pesado, ao derrotar o alemão Mark Meilling na final.Voltando ao Brasil, o judoca foi festejado como verdadeiro herói e ganhou força para ser um atuante porta-voz do esporte brasileiro. As divergências se multiplicavam e Aurélio decidiu se afastar das competições oficiais. Perto das Olimpíadas de Barcelona, o impasse continuava. Só com a interferência do então Secretário de Esportes da presidência da República, Bernard Rajzman, foi feito um acordo que garantiu o campeão olímpico em Barcelona. Porém, devido a problemas no ombro esquerdo, Aurélio não foi bem na Espanha. Em Atlanta, ele buscou sua segunda medalha de ouro olímpica, mas teve que se contentar com o bronze.Aurélio também persegue o título mundial, que lhe escapou por pouco em 93 e 97. O judoca não tem mais nada a provar, pois já entrou para a história do esporte brasileiro. Porém, ele continua lutando dentro e fora dos tatames com a mesma garra que lhe garantiu o ouro olímpico em Seul. |
|