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2002 - um ano de sucesso do volei alagoano
Victor Mélo
O título pronto, estampado nas páginas dos jornais, não revela ao público as dificuldades enfrentadas pelos atletas para conquistá-lo. Nos bastidores do esporte existe muita dedicação para que o trabalho seja coroado com uma grande conquista. O voleibol feminino alagoano é rico em vitórias e o segredo deste sucesso está, sem dúvida, na garimpagem de talentos.
Durante esta semana, a seleção de Alagoas realizou uma seletiva, no Ginásio do CRB, para encontrar novas jogadoras. A responsável por todo este “peneirão” foi a técnica Bárbara Tenório, que, em alguns casos, chega a trabalhar com atletas recém-apresentadas ao esporte. “Um dos fatores que mais dificultam esse processo seletivo é que as escolas alagoanas, com raras exceções, não trabalham com o voleibol e nós, nos clubes, temos que começar quase sempre do zero. Nesta semana, fizemos uma triagem pouco proveitosa, mas, no dia 13 de janeiro, vamos realizar outra seletiva para tentar encontrar novos talentos. Não podemos desistir”, afirmou Bárbara.
O presidente da Federação Alagoana de Voleibol, Walter Pitombo Laranjeiras (Toroca), explicou que o trabalho nas categorias inferiores tem que ser realizado com muito critério. Segundo o dirigente, nas seletivas o técnico precisa estar atento a detalhes para não deixar escapar um atleta promissor. “O vôlei é diferente do futebol, onde os jogadores começam a ser formados ainda na infância. Nas quadras temos que realizar um bom trabalho de base para montar as nossas seleções. Chegamos a trabalhar com atletas que nunca jogaram uma partida de vôlei, mas são escolhidos pelo porte físico, que hoje em dia é fundamental. Nesse trabalho de base o treinador tem um papel importantíssimo”, revelou o presidente.
Conquista
Na história recente do vôlei de Alagoas, o título de maior expressão foi conquistado pelas garotas da categoria infanto-juvenil. As meninas ignoraram o favoritismo das adversárias, conseguiram vencer o Campeonato Brasileiro e – como prêmio pelo esforço - ganharam uma vaga na Divisão Especial do esporte no próximo ano. Esta vitória só foi possível por causa do investimento em um projeto a longo prazo, marcado pela paciência. “Para conquistarmos esse título, fizemos um trabalho de um ano e seis meses. Nada acontece do dia para noite, é preciso que haja sempre um planejamento”, destaca Toroca.
O técnico da seleção infanto-juvenil no Brasileiro, Caetano Veras, disse que Alagoas está crescendo aos poucos e, como o Estado tem uma grande tradição no voleibol, a tendência é que o trabalho seja aperfeiçoado com o tempo. “Temos atletas de muito potencial por aqui, que precisam apenas de uma pequena força para começarem a brilhar”, afirmou o treinador.
Caetano também acha fundamental que o esporte transforme os atletas em vencedores na vida. “O vôlei não se alimenta apenas da disputa, ele ajuda a formar cidadãos. Os títulos passam, viram lembranças, mas as conquistas sociais, estabelecidas através do esporte, permanecem”.
Desafios
A jogadora Agatha, capitã da seleção alagoana infanto-juvenil, disse que o próximo ano será marcado por grandes desafios. “Estamos buscando o nosso espaço e acredito que poderemos mostrar a nossa força na Divisão Especial do ano que vem. Vamos treinar muito para dar trabalho às melhores equipes da nossa categoria no País”, salientou a atleta. “O nosso problema é que não temos adversárias aqui em Alagoas. O voleibol do Estado se resume ao CRB e, por isso, precisamos fazer intercâmbios para poder evoluir. Isso nos atrapalha”, completou.
Força física
Atualmente, a altura e a resistência física são dois fatores muito importantes no vôlei de competição. A região Nordeste leva uma desvantagem natural em relação ao Sul e Sudeste do País, que possuem atletas com características físicas mais adequadas ao esporte de alto rendimento. “Ainda acredito que a técnica é mais importante que a força, mas não dá para negar que a partir da categoria juvenil a altura e condição física decidem os campeonatos”, frisou a jogadora Stephany.
Para suprir essas carências físicas, a Federação Alagoana traz para Alagoas algumas atletas de outros Estados, que garantem qualidade nas posições mais carentes da seleção local.
Brasil
O trabalho feito com as meninas rendeu a duas integrantes do time de Alagoas passaportes para a seleção brasileira. A ponta Júlia, que é paranaense, e a atacante alagoana Neire Sabino obtiveram destaque no Campeonato Nacional e agora vão defender o País em competições internacionais. Outros talentos que começam somente agora a aprender as primeiras manchetes podem se juntar a elas nos próximos anos. Os professores das divisões de base locais conhecem bem os atalhos para o sucesso e não se cansam de ensiná-los. A profecia das quadras já foi escrita: novas feras estão por vir.
Atletas da categoria infanto-juvenil campeãs brasileiras: Fernanda, Monique, Valquíria, Stephani, Giórgia, Francine, Agatha, Júlia, Tatiane, Bárbara, Neire e Luana. Técnicos: Caetano Veras e Toroca.
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