O Fla-Flu da Lagoa - 1941

Jornal dos Sports

       O time do Flamengo que não conseguiu evitar o campeonato do Fluminense.
Em pé: Volante. Biguá. Newton. Domingos da Guia. Yustrick e Jaime.
Agachados: Sá. Zizinho. Pirilo. Ruben e Vevé.

Deste clássico ninguém esquece. O empate bastava para o Fluminense se sagrar campeão de 1941. Jogo foi realizado no estádio da Gávea no dia 23 de novembro de 1941. A partida tinha o aspecto, ainda, de uma espécie de tira teima. Afinal, o Fluminense tinha conquistado os campeonatos de 1936/37/38, além do de 1940. O Flamengo, uma equipe forte, sagrara-se campeão de 1939.

O Fla-Flu da Lagoa foi emocionante e memorável. Os tricolores começaram melhor e fizeram logo dois gols através de Pedro Amorim e Russo. Só que, antes de terminar o primeiro tempo, Pirilo diminuiu. Na etapa complementar, Pirilo empatou a partida aos 38 minutos. A partir daí o jogo tornou-se dramático. O Flamengo pressionava e os jogadores do Fluminense passaram a usar o artificio de jogar a bola na Lagoa Rodrigo de Freitas, que ficava ao lado das gerais da Gávea. Para o Flamengo somente a vitória interessava. Para o Fluminense, o empate servia. Nos minutos finais foi sempre assim, o Flamengo atacava e o Fluminense chutava a bola para a Lagoa. Quando o numero de bolas acabou, e o jogo ficava parado por alguns minutos, dirigentes do Flamengo conseguiram com que os remadores do clube fossem para a Lagoa afim de devolveram a bola com rapidez para o campo de jogo.

O juiz Juca de Oliveira interpretou a atitude dos tricolores como cera e, terminou expulsando Carreiro. E o ponteiro do Fluminense ganhou mais alguns segundos discutindo com o juiz. O Flamengo continuava atacando e o Fluminense se defendendo. Então, Romeu Pelliciari, um careca que jogava de gorro resolveu ficar de posse da bola. Romeu foi um craque excepcional. Ele pegava a bola, fingia que ia mais não ia, acabava indo e não a largava, prendendo-a, caminhando, correndo com ela dando voltas, alongando caminhos, avançando e recuando, deixando os jogadores do Flamengo sem saber o que fazer. Quando o Flamengo percebeu que o tempo passava e Romeu não largava a bola, começou a fazer faltas em Romeu. Na cobrança, davam a bola para ele que corria para perto da bandeirinha de escanteio protegendo a bola e terminava com nova falta. O juiz José Ferreira Lemos, o Juca da Praia, descontou doze minutos. E nesse tempo, o Flamengo apertou mas não conseguiu o gol da vitória. O goleiro do Fluminense, Batatais, aos 40 minutos teve a clavícula deslocada e continuou no jogo como um herói para a torcida tricolor e sua bravura empolgou seus companheiros que lutaram para manter o resultado que lhe favorecia. Nisso, os doze minutos foram passando mais rápido até que o juiz abriu os braços, os levantou e fez assim, cruzando-os no ar. Era o fim. O Fluminense era o campeão carioca de 1941.

O jogo foi realizado no dia 23 de novembro de 1941 no estádio da Gávea que lotou com 15.312 torcedores. O Flamengo jogou com Yustrick. Newton e Domingos da Guia. Biguá. Volante e Jaime. Sá. Zizinho. Pirilo. Ruben e Vevé. O Fluminense com Batatais. Norival e Renganeschi. Og Moreira. Spinelli e Afonsinho. Pedro Amorim. Russo. Rongo. Tim e Carreiro que terminou expulso no segundo tempo.