O Campo Grande parou no túnel do tempo

Matéria original do Jornal Jogo Extra – 2004

A foto é do pátio da sede do Campo Grande que serve de feirinha para o clube arrecadar alguns reais.

Esquecido na terceira divisão carioca, o Campo Grande padece na história do futebol do Rio de Janeiro, quase igual ao Bangu. Hoje, o campeão da Taça de Prata de 1982, é o retrato da miséria. Os olhos do roupeiro Russo brilham ao relembrar boa parte de seus 40 anos no Campo Grande, onde trabalha desde 1964. Fala com saudade dos tempos em que o clube produzia ídolos como Dadá Maravilha que fez seus primeiros gols de sua carreira, ainda juvenil, em 1965. Hoje, não há mais craques, nem ídolos. Não há sequer futebol. Quase não há mais clube. A situação é de insolvência em mais um triste retrato da agonia que tomou conta dos pequenos clubes suburbanos.

O Estádio Ítalo Del Cima, cuja capacidade oficial é de 22 mil pessoas, cai aos pedaços, literalmente. Parte do muro da arquibancada ruiu sobre a piscina, em 2001. Não foi reconstruída. Nem poderia. Não há dinheiro. Menos de cem sócios pagam a mensalidade de doze reais. As receitas são irrisórias.

O clube sobrevive graças ao aluguel da sede, que varia entre R$ 5 e R$ 15 mil, além do que eles conseguem fazer como traders esportivos. Dinheiro que vem da feirinha de roupas, dos produtores de shows e da escolinha de natação, cuja piscina foi arrendada a Academia Rômulo Arantes. O futebol foi desativado até que seja organizado o Carioca da terceira divisão e os demais esportes foram extintos.

O Estádio foi pré-selecionado para ser uma das sedes do futebol no Pan-Americano de 2007, no Rio. Até lá, nem o presidente sabe o que fazer para gerir o clube.

O clube, ameniza a agonia do presente com as lembranças do passado. E vale lembrar de qualquer detalhe, qualquer fato, para resgatar o valor de um clube que revelou estrelas para o cenário nacional. Os artilheiros Valdir e Vagner Love começaram no Campo Grande. Valdir foi para o Vasco ainda amador. Vagner Love, o clube perdeu na Justiça, em 2001. O atacante ainda era juvenil, recebeu proposta do São Paulo, a família entrou com ação pedindo a liberação do atleta e o Campo Grande foi obrigado a liberá-lo. Em 1991, o clube deu seu último suspiro de grandeza. Contratou Eloi e Roberto Dinamite que, comandados por Edu, irmão de Zico, ficou em quinto lugar no campeonato carioca da primeira divisão. Em 1995, o time caiu para a segunda divisão e, hoje, está na terceira divisão sem nenhuma perspectiva de voltar tão cedo.

O Campo Grande parou no túnel do tempo 9 out of 10 based on 202 ratings.
 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *