Estádio - Histórias do Maracanã

Revista Placar

       Na foto, Carlayle da seleção carioca autografa a bola do jogo. Ao seu lado está Didi o autor do primeiro gol no maracanã.

Antes de 1950, difícil era imaginar tempos ainda melhores que aqueles, em que galantes artilheiros desfilavam pelos campos do subúrbios do Rio de Janeiro. Quando conheceu o maior estádio do mundo, porém, o torcedor nunca mais quis saber de outra coisa. Então, apaixonado, deixou-se levar mansamente pelo turbilhão de emoções ainda maiores que estavam por vir. As novas emoções da Era Maracanã.

As emoções começaram com a inauguração do estádio que tinha como nome: Estádio Mário Filho.
Dia 16 de junho de 1950.
Jogo: Seleções de novos de São Paulo 3 x Rio 1.
Primeiro gol: Didi da seleção carioca.

UM RECORDE DE PUBLICO.
Em 1969 o Brasil venceu o Paraguai por 1x0 nas eliminatórias da Copa do Mundo, carimbou o passaporte para o tri de 1970 e levou 183.341 pagantes ao estádio. Muitos juram que na decisão da Copa do Mundo de 1950 havia um público mais expressivo. Oficialmente, o recorde é o de 1969.

A MAIOR GUERRA.
O momento mais violento visto no estádio foi na decisão de 1966. O Flamengo perdia para o Bangu por 3x0, quando Ladeira, do Bangú deu um tapa em Paulo Henrique do rubro negro. Imediatamente Almir partir para o revide, transformando o gramado numa praça de guerra. Foram expulsos cinco jogadores do Flamengo e quatro do Bangú. O jogo terminou aos 26 minutos do segundo tempo.

O GOL MAIS RÁPIDO.
Aconteceu pelo Torneio Rio São Paulo em 1965. O Palmeiras venceu o Vasco por 2x0. O gol de Gildo foi marcado aos 8 segundos do primeiro tempos. Mais um recorde no maracanã.

A MAIOR TRAGÉDIA.
Foi do céu ao inferno em 30 dias. De 16 de junho, data da inauguração oficial, a 16 de julho, dia em que o Brasil perdeu a Copa do Mundo. Foi um mês de uma euforia emoldurada com a mais profunda das depressões. Os futuros campeões do mundo deixaram de ser campeões para serem eternos e desacreditados vice campeões.

COM GARRINCHA O POVO VOLTOU A SORRIR.
Só mesmo um fenômeno seria capaz de devolver ao freqüentador do Maracanã ânimo suficiente para ir ao campo depois da desilusão sofrida com a derrota diante do Uruguai em 1950. E esse fato incomun se personificava nas pernas tortas de Mané Garrincha, a alegria do povo, que voltava ao maior estádio do mundo para acompanhar de perto os melhores anos do futebol brasileiro.

Seus dribles infernais pela ponta direita do Botafogo faziam muito mais que a festa dos alvinegros. Torcedores das outras equipes costumam confessar, sem nenhum constrangimento, que iam ao Maracanã somente para ver e admirar a beleza do futebol de Garrincha. Um ritual que teve origem na sua primeira grande exibição no estádio, em uma vitória do Botafogo sobre o Flamengo por 3x0, com um gol do Mané, em setembro de 1953. Dali em diante, jogo do Botafogo no maracanã era sinônimo de show de Garrincha. Neste palco, ele ajudou o Botafogo a ganhar seu primeiro titulo na era do novo estádio, vencendo o Fluminense por 6x2. Voltaria a desequilibrar no jogo que valeu o primeiro bi do Botafogo em 1962, aniquilando o Flamengo com dois gols e considerada como uma das maiores atuações individuais da história, terminado o jogo com 3x0 para o clube de General Severiano.

A MAIOR VAIA NO MARACANÃ.
Como substituir Garrincha com a camisa do Brasil, enfrentando a Inglaterra logo na primeira exibição depois da Copa de 1958 ? Este era o desafio de Julinho naquele dia 13 de maio de 1959. E seu pesadelo começou quando o locutor do estádio anunciou o nome de Julinho. Naquele momento aconteceu a maior vaia no maracanã. Ferido em seus brios, o ponta não só marcou o primeiro gol, como transformou os protestos em aplausos.

UM CENÁRIO ESCOLHIDO PELO PELÉ.
Não bastasse o fato de que ambos são, no futebol, os maiores do mundo em todos os tempos, o destino de Pelé está fortemente ligado ao maracanã. E foi no gramado no maracanã que ocorreram alguns dos fatos mais marcantes da carreira do super craque.
Sua estréia na seleção brasileira contra a Argentina no dia 7 de julho de 1957 com Pelé marcando seu primeiro gol com a camisa do Brasil.
Em 1961 fez um gol tão sensacional que valeu uma placa no estádio. Jogo contra o Fluminense pelo Torneio Rio São Paulo.
O milésimo gol assinalado contra o Vasco da Gama em 1969 também em jogo do Rio São Paulo.
A despedida da seleção em 1971 contra a Iugoslávia.

O PRIMEIRO ARTILHEIRO.
Em 1950, o Vasco ainda era o Expresso da Vitória, o melhor clube do Rio de Janeiro. Foi o primeiro campeão no Maracanã e Ademir Menezes foi o primeiro artilheiro com 23 gols.

O PRIMEIRO TRI.
Naqueles primeiros anos do Maracanã, a torcida rubro negra tinha seus motivos para ser feliz. Em 1953/54/55, o Flamengo conquistava o primeiro tri campeonato no Maracanã. Só os corações mais fortes resistiram ao ano do tri, após uma dramática melhor-de-três contra o América. O Flamengo ganhou o primeiro jogo por 1x0, e depois teve que amargar uma goleada de 5x1 no segundo jogo. Naquele dia, os americanos comemoraram a vitória cantando na saída do Maracanã – “Quem sabe sabe/conhece bem/ como é gostoso/ ganhar de alguém”. Mas, na negra, o Flamengo voltou a impor sua categoria e venceu por 4x1, com quatro gols de Dida. O alagoano que foi o grande xodó da galera rubro negra nos anos cinqüenta.

UM FRANGO QUE DESTRUIU UMA CARREIRA.
Uma história dramática aconteceu com o goleiro do Vasco, Marcelo, em 1964. Um jogo com o Flamengo, uma bola amaldiçoada chutada pelo Nelsinho Rosa Martins da intermediária. Quando Marcelo agachou-se para a defesa não pegou nada. E ai começou todo o drama do dono deste frango monumental. Sem condições psicológicas para continuar jogando, o goleiro chorava encostado na trave, implorando para sair enquanto ouvia vaias da torcida do Vasco. Trêmulo, nervoso, ele comoveu todo o estádio enquanto caminhava na direção do túnel. Então, deu-se o inesperado. Solidários na dor com o goleiro, as duas torcidas começaram a aplaudi-lo. Assim mesmo, Marcelo prosseguiu, rumo as escadarias que levam ao vestiário, para nunca mais voltar.